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12 de Dez. de 2013 às 11:33

Natália é hostilizada ao deixar a prisão

MÃE DE JOAQUIM deixou a cadeia aos gritos de ‘‘assassina’’, por volta das 17h30, em um carro escoltado por dois investigadores

Foto: DIRCEU GARCIA/ COMÉRCIO DA FRANCA/ AE

 

A mãe do menino Joaquim Ponte Marques, a psicóloga Natália Mingoni Ponte, de 29 anos, saiu da Cadeia Femini­na de Franca na tarde dessa quarta-feira, 11 de dezembro. Ela deixou a unidade aos gri­tos de “assassina”, por volta das 17h30, em um carro escoltado por dois investigadores da Po­lícia Civil de Ribeirão Preto. Cerca de 20 pessoas aguarda­vam a saída dela para protestar. Algumas chegaram a dar socos no veículo.

A suspeita conseguiu a li­berdade depois que o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ­-SP) concedeu, na terça-feira (10), habeas corpus impetrado por um advogado de São Pau­lo, Francisco Ângelo Carbone Sobrinho, que não participa do caso, mas acredita que a psicóloga é inocente e não teve participação na morte do filho, aos três anos. 

“Eu fiquei horrorizado de esta moça estar presa. Natália ajudava em tudo, comprava medicação e a alimentação cara para o filho, cuidava dele. Ela amava o Joaquim, não ti­nha intenção de matá-lo. Eu acredito que ela é inocente. Na gravação da Polícia Militar de Ribeirão Preto, já deu para entender que essa mulher não sabia de nada. Isso tudo é um erro muito grave. Natália está sem amamentar o outro filho (João Victor, de cinco meses), não foi ao enterro do filho e não teve tempo nem de ter o momento de luto. Um absur­do”, relata Sobrinho.

“Agora, Guilherme Longo, espero que ele seja condenado a uns 35 anos de cadeia, por­que ele é um mostro, premedi­tou a morte dessa criança e por um motivo fútil. Eu acredito que ele não queria mais cuidar do garoto e fez isso”, acrescenta o advogado paulistano.

Imprensa e população es­tiveram na frente do presídio durante todo o dia e causa­ram tumulto. O advogado de defesa, Cássio Alberto Gomes Ferreira, e o pai de Natália, Vi­cente Ponte, não acompanha­ram a saída dela do presídio. A psicóloga passou por exame de corpo de delito e segundo informações da polícia, foi le­vada para um sítio da família em São Joaquim da Barra. Se­gundo os familiares, ela quer passar mais tempo com o filho João Victor, após ficar 31 dias na cadeia. 

Na manhã desta quinta-fei­ra (12), ela deve prestar novo depoimento na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Ribeirão Preto. O delegado do caso, Paulo Henrique Martins de Castro, disse que a liberda­de da mãe de Joaquim não vai atrapalhar no andamento do processo. Ele só aguarda a che­gada dos laudos periciais das vísceras e do sangue da crian­ça e da bilhetagem telefônica completa do casal para finalizar o inquérito. 

Ele relatou que o padras­to de Joaquim, o técnico em TI Guilherme Raymo Longo, de 28 anos, será indiciado por homicídio doloso (quando há intenção de matar) triplamente qualificado – motivo torpe (fú­til), meio cruel e sem oferecer defesa à vítima. No entanto, Castro disse ontem que não sabe se vai indiciar a psicóloga e, caso isso aconteça, por qual crime. Ela também pode res­ponder por homicídio, nesse caso por omissão. Ela declarou em depoimento que o marido era violento, fazia ameaças e não gostava de Joaquim.

Natália Ponte estava presa temporariamente desde 10 de novembro, quando o corpo do filho foi encontrado boian­do no Rio Pardo, na zona ru­ral de Barretos. O padrasto do menino segue detido em uma cela na Delegacia Seccional de Barretos. O casal é considerado suspeito de envolvimento na morte e no desaparecimento do garoto, que desapareceu de dentro da casa da família, no Jardim Independência, em 5 de novembro. 

Na segunda-feira (9), a juí­za da 2ª Vara do Júri e de Exe­cuções Criminais de Ribeirão Preto, Isabel Cristina Alonso Bezerra dos Santos, deferiu o pedido da Polícia Civil de pror­rogação da prisão temporária do casal. A temporária vence­ria nessa terça-feira (10). Os dois alegam inocência.

Apesar de a Polícia Civil e o Ministério Público Estadual (MPE) afirmarem que o pa­drasto é o principal suspeito de cometer o crime, as causas da morte e o motivo do crime ainda não foram esclarecidos. Castro acredita em ciúmes do padrasto. 

O habeas corpus concedido à Natália foi proferido pelo de­sembargador Péricles Piza, da 1ª Câmara de Direito Criminal do TJ-SP, considerando que a psicóloga não prejudicaria o curso das investigações em an­damento. Piza também ressal­tou que a mãe de Joaquim não possui antecedentes criminais e que seu filho mais novo ne­cessita de cuidados maternos.

Para a defesa, o pedido de habeas corpus feito por Carbo­ne Sobrinho e a decisão do juiz podem prejudicar a mãe de Jo­aquim. “Eu não arriscaria ter entrado com esse pedido. Não sei se isso vai comprometê-la ou não no inquérito. Até agora ela estava auxiliando a polícia e estava dando tudo certo”, diz Gomes Ferreira. 

O promotor que acompa­nha o caso, Marcus Túlio Nico­lino, defende a tese que Natália Ponte deveria ficar presa para a preservação da sua integridade física. “É um caso de muita co­moção e nós não temos como controlar e nem prevenir qual­quer atitude que a coloque em risco”, afirmou. 

Antônio Carlos Oliveira, advogado da família Longo, também protocolou um novo pedido de habeas corpus na mesma Câmara de Direito Criminal do TJ-SP que julgou o documento de Natália. Ele disse ao Tribuna que tomou a atitude porque acredita que os direitos são iguais e o cliente dele também é inocente.