Empresas Centenárias 2018 – Foto: Alfredo Risk

A Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Pre­to (Acirp) e o jornal Tribuna Ribeirão prestaram uma justa e merecida homenagem a 35 empresas e entidades centená­rias que ajudaram a construir a história e colaboraram para o desenvolvimento da cidade que virou metrópole de uma região com 1,67 milhão de habitantes e mais 33 municípios.

Homenageados receberam uma medalha cunhada especialmente para o evento

A solenidade, que contou com a participação de autori­dades políticas e empresariais, ocorreu na noite de quinta-feira, 28 de junho, no Salão Nobre da­Acirp. Os homenageados rece­beram uma medalha cunhada especialmente para o evento. O presidente da associação, Dori­val Balbino, classificou o evento como um dos maiores que a en­tidade realizou em sua gestão.

“Dificilmente nós vamos reunir tantos valores, tan­tas empresas que contribuí­ram com obras importantes na nossa cidade. Empresas e entidades que nasceram em 1895, 1901, 1903… Empresas que passaram e sobreviveram a duas guerras mundiais, so­breviveram a uma revolução e a incontáveis planos econômi­cos. Estas empresas estão de pé representando suas categorias e classes, o que nos traz muito orgulho”, salientou.

Dorival Balbino, presidente da ACIRP: Dificilmente nós vamos reunir tantos valores, tantas empresas que contribuíram com obras importantes na nossa cidade.

Balbino explicou que a pesquisa realizada pela Acir­pe pelo Tribuna conseguiu identificar 42 empresas ou en­tidades com 100 anos ou mais e ressaltou a importância da cidade no contexto nacional. “Essas empresas são patrimô­nios que não é qualquer cida­de que tem. Ribeirão Preto é grande, promissora, é maior que muitas capitais. E isso não é à toa; é pela sua gente, pelas suas empresas e entidades”.

Ele citou como exemplo a agência do Banco do Brasil. “A agência é de número 0028, ou seja, foi criada muito antes que em muitas capitais no Brasil, dada a importância que a ci­dade representa. Não há como escrever a história da cidade sem passar por essas empresas e essas entidades”, finalizou. O prefeito Duarte Nogueira Júnior (PSDB), que recebeu a homenagem pela prefeitura, também centenária, afirmou que as cidades são os maiores artefatos que os seres humanos puderam construir.

Ele também destacou que é necessário aprender com a história para não correr ris­cos de erros e prever acertos. Nogueira classificou Ribeirão Preto como uma “cidade refe­rência nacional, pela sua força econômica, cultural e históri­ca”. “Peço que os representantes das entidades e empresas que aqui estão façam uma reflexão: para onde a gente quer ir e para onde vamos?”, indagou.

“Devemos interagir cada vez mais. Pensar em uma cidade global. Encontrar as melhores coisas do planeta, por exemplo, em ciência e inovação, trazer e adaptar. Ribeirão tem de ser um centro de peso político onde nossas decisões sejam respeita­das nos âmbitos das discussões do nosso país. É assim que se faz uma cidade forte e uma região pujante como é a região metro­politana. Temos essas condicio­nantes e variáveis, mas não po­demos perder as características de uma cidade com qualidade de vida”, enfatizou o prefeito.

O presidente da Câmara de Vereadores, Igor Oliveira (MDB), destacou que o Legis­lativo completa 144 anos no próximo dia 13 de julho e co­mentou os trabalhos exercidos na atual legislatura. “Temos um compromisso com a população. Um trabalho com seriedade e com transparência, além de manter uma relação republica­na com o Poder Executivo”, dis­cursou o parlamentar.

O juiz e diretor do Fórum Estadual de Justiça local, Ri­cardo Braga Monte Serrat, que representou o Judiciário na solenidade, disse que ficou emocionado, entusiasmado e esperançoso ao saber do even­to. O magistrado salientou que Ribeirão Preto viveu uma fase de cidade sem memória, “não preservamos nossos casarões, nossos monumentos, marcas importantes do passado”.

Monte Serrat afirmou que o evento provocou o aconteci­mento de “dois elementos”. “Um é o resgate histórico de empresas que sobrevivem há tanto tempo e de entidade que colaboram para o bem da coletividade. É um trabalho de resgate histórico precioso e espero que frutifique em outras áreas de Ribeirão, para assim fechar essa falha que existe no prestígio da nossa ci­dade. Precisamos resgatar nossa história”, conclamou.

“Em segundo lugar me emocionou por ser um ato de justiça, pois, na medida que são lembradas as entidades que contribuíram para o bem de Ribeirão Preto, há um reconhe­cimento que é uma coisa rarís­sima hoje em dia e talvez seja rara de um modo geral na na­tureza humana. Bom que duas entidades exemplares como a Acirp e Tribuna fazem esse ato de justiça de reconhecer aqueles que vêm lutando há tanto tem­po pelo bem da nossa cidade”, finalizou o juiz que recebeu a homenagem em nome do Judi­ciário, que existe há 126 anos no município.

Eduardo Ferrari, diretor do Tribuna: homenagem representa a valorização das histórias das empresas e entidades centenárias.

O diretor do jornal Tribuna, Eduardo Ferrari, acrescentou que o periódico tem como um dos seus objetivos fazer esse resgate com frequência. “Nas edições de domingo, procura­mos mostrar um pouco de en­tidades, personagens e fatos que marcaram a história da nossa cidade”, explicou. “Também produzimos uma revista, no aniversário de 20 anos do jor­nal, contando a história de Ri­beirão Preto de forma didática. Essa revista está em todas as bi­bliotecas das escolas municipais da cidade”, acrescentou. Ferrari finalizou dizendo que a home­nagem centenária representa a valorização das histórias das empresas e entidades.

 

Rivalidade para depois: Ademir Chiari e Gerson Engrácia, presidentes do Comercial e Botafogo, clubes centenários da cidade.

 

As empresas e entidades centenárias homenageadas
A pesquisa e seleção das empresas e entidades centenárias, feitas pela Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp) e jornal Tribuna, duraram dois meses. Foi estabelecido como critério que tanto as instituições nascidas em Ribeirão Preto, como também as nacionais, mas que estão estabelecidas na cidade há 100 anos ou mais, seriam, homenageadas. Enquadraram-se nesse caso os Correios e o Banco do Brasil, por exemplo.

Representantes de cada entidade e empresa foram chamados ao palco. A história de cada uma delas foi contada resumidamente. Um detalhe foi a homenagem feita à própria Acirp. O presidente Dorival Balbino, ao invés de receber a medalha, convidou o funcionário mais antigo da entidade, o professor de economia e jornalista Vicente Golfeto, e convidou o funcionário mais novo, Gustavo Motta Massaro, para entregar a peça.

CONFIRA QUEM FOI HOMENAGEADO

– 1º Cartório de Registro Civil de Ribeirão Preto (1889)

– 1º Oficial de Registro de Imóveis de Ribeirão Preto (1879)

– Acirp (1904)

– Arquidiocese de Ribeirão Preto (1908)

– Associação Unione Italiana de Socorros Mútuos de Ribeirão Preto (1895)

– Banco do Brasil (1918)

– Biblioteca Padre Euclides (1902)

– Bosque Municipal Fábio Barreto (1907)

– Botafogo Futebol Clube (1918)

– Câmara Municipal (1874)

– Catedral Metropolitana de São Sebastião (1917)

– Colégio Auxiliadora (1918)

– Colégio Metodista de Ribeirão Preto (1899)

– Colégio Santa Úrsula (1912)

– Comercial Futebol Clube (1911)

– Companhia Paulista de Força e Luz (1912)

– Corpo de Bombeiros de Ribeirão Preto (1915)

– Empresa Brasileira de Correios (1880)

– Escola Estadual Fábio Barreto (1914)

– Escola Estadual Guimarães Júnior (1895)

– Escola Estadual Otoniel Mota (1907)

– Fórum Ribeirão Preto (1890)

– Funerária Nicácio (1918)

– Grupo Santa Emília (1903)

– Hospital da Sociedade Portuguesa de Beneficência de RP (1907)

– Hospital Santa Casa de Misericórdia (1896)

– Igreja Metodista Central em Ribeirão Preto (1896)

– Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres (1903)

– Igreja Senhor Bom Jesus do Bonfim (1898)

– Jornal A Cidade (1905)

– Loja Maçônica Amor e Caridade (1872)

– Loja Maçônica Estrella D´Oeste (1885)

– Mercado Municipal (1800)

– Palestra Itália Esporte Clube (1917)

– Polícia Civil (1905)

– Polícia Militar (1831*)

– Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto (1874)

– Santuário Nossa Senhora do Rosário (1914)

– Sociedade Amiga dos Pobres (1910)

– Sociedade Dante Alighieri (1910)

– Sociedade Recreativa de Ribeirão Preto (1906)

– Sociedade União dos Viajantes (1903)

– Tiro de Guerra (1908)

*A PM paulista foi criada em 1831. Sua atuação na cidade vem desde a fundação do município