Cerca de 60 alunos do Grupo Estácio em Ribeirão Preto protestaram na noite de quarta-feira, 6 de dezembro, contra a provável demissão de 1.200 professores nas unidades de todo o Brasil. A manifestação teve início por volta das 18 horas no campus da avenida Maurílio Biagi, na Zona Sul. No dia anterior, a universidade havia emitido nota ao Tribuna informando que “promoveu, ao fim do segundo semestre letivo de 2017, uma reorganização em sua base de docentes. O processo envolveu o desligamento de profissionais da área de ensino do grupo e o lançamento de um cadastro reserva de docentes para atender possíveis demandas nos próximos semestres, de acordo com as evoluções curriculares”.

Diz, também, que “é importante ressaltar que todos os profissionais que vierem a integrar o quadro da Estácio serão contratados pelo regime CLT, conforme é padrão no Grupo. A reorganização tem como objetivo manter a sustentabilidade da instituição e foi realizada dentro dos princípios do órgão regulatório. A Estácio segue comprometida com sua missão de Educar para Transformar, oferecendo educação de qualidade a seus alunos em todo o País.”

Em Ribeirão Preto, a medida deve atingir cerca de 70 professores. Vestidos de preto, com narizes de palhaço e cartazes – alguns foram deixados no setor de atendimento – , os estudantes se reuniram em frente à universidade e promoveram um “apitaço” dentro do prédio. Eles encerraram o protesto cerca de uma hora e meia depois. Os alunos reclamam que as demissões foram motivadas por corte de custos e vão piorar a qualidade de ensino da instituição.

De acordo com os alunos, um dos cursos mais afetados em Ribeirão Preto foi o de Direito, com dez dispensas de docentes que atuavam em disciplinas como direito do trabalho e direito civil. A Estácio de Sá, no entanto, não confirma o número exato de demissões. A Federação dos Professores do Estado de São Paulo (Fepesp) apura informaçõs sobre as demissões, mas vai marcar com urgência uma reunião com os diretores da universidade em busca de esclarecimentos.

Considerado um dos maiores grupos educacionais do país, a Estácio chegou a ser cogitada para uma fusão com a Kroton Educacional, primeira do mercado brasileiro, mas a negociação foi rejeitada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). De acordo com informações do Sindicato dos Professores da cidade de São Paulo (Sinpro-SP), o grupo Estácio acumula somente na capital 228 pedidos de agendamento de rescisão contratual, que podem ou não se reverter em demissões. Ressalta que uma demissão coletiva como a em questão é vetada pela convenção coletiva da categoria.

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