O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu um prazo de 60 dias para a conclusão das investiga­ções de um inquérito instaurado com base na delação da Odebre­cht que mira o presidente Mi­chel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Minas e Energia).

No inquérito, delatores da Odebrecht apontam que inte­grantes do grupo político lide­rado por Temer e por Padilha e Moreira Franco teriam recebi­do recursos ilícitos da emprei­teira como contrapartida ao atendimento de interesses da Odebrecht pela Secretaria de Aviação Civil – pasta que foi co­mandada pelos dois ministros de Temer entre 2013 e 2015.

Fachin também negou pe­didos de Padilha e Moreira Franco para ter acesso a in­formações sobre a quebra do sigilo telefônico.

Em despacho assinado na última quarta-feira, 1, Fachin destacou que a Polícia Fede­ral havia sustentado que os elementos colhidos até aqui “diversificaram as frentes in­vestigativas”, o que justificaria a ampliação do prazo da apu­ração. A PF apontou que ain­da são necessários colher mais depoimentos e estão penden­tes de análise aparelhos ainda não entregues pelos colabo­radores Cláudio Melo Filho e José de Carvalho Filho. A Procuradoria-Geral da Repú­blica (PGR) concordou com o pedido da PF.

Ao recusar os pedidos de Moreira Franco e Padilha para ter acesso integral às informa­ções sobre a quebra de sigilo telefônico, Fachin destacou que, por ora, “não se mostra possível franquear o acesso ili­mitado buscado”, sob riscos de se causar prejuízo às investiga­ções em curso.