A Petrobras anunciou corte de 0,48% no preço médio do litro da gasolina sem tributo nas refinarias, válido para esta quinta-feira, 8 de novembro, para R$ 1,7082. Além disso, a estatal manteve sem alteração o preço do diesel, em R$ 2,1228, conforme tabela disponível no site da empresa. Em 6 de se­tembro, a diretoria da compa­nhia anunciou que além dos reajustes diários da gasolina, terá a opção de utilizar um me­canismo de proteção (hedge) complementar. No entanto, os consumidores reclamam que as quedas demoram a chegar às bombas – quando chegam.

A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustí­veis) divulgou nota oficial na qual procura explicar por que a queda de preços da gasolina e do diesel nas refinarias demora a ser repassada ao consumidor final. “Apesar de a Petrobras divulgar quedas de preços da gasolina e diesel nas últimas se­manas, o repasse deste menor custo não acontece na mesma velocidade e proporção nas bombas”, diz no comunicado.

No período de 25 de setem­bro a 7 de novembro, o preço da gasolina nas refinarias Petro­bras chegou a cair 23,8%, mas a queda não foi sentida pelos con­sumidor. Segundo a federação, isso se deve ao funcionamento da cadeia de combustíveis, que é formada por refinarias, distri­buidoras e postos. “Pelas regras atuais, os postos não podem comprar gasolina e diesel direto das refinarias”, explica.

“Compram apenas das companhias distribuidoras, que são responsáveis por toda a logística do abastecimento na­cional em todos os estados bra­sileiros.” A nota da Fecombus­tíveis destaca que as refinarias comercializam gasolina A (sem etanol anidro) e diesel A (sem biodiesel) para as distribuido­ras e acrescenta: “nas bases da distribuição são adicionados 27% de etanol anidro e 10% de biodiesel, que, após a mistura, tornam-se gasolina C e diesel C, que são vendidos e distribuídos para os postos por meio rodo­viário via caminhões-tanques”.

“Como os postos de com­bustíveis não podem comprar das refinarias, eles só conse­guem diminuir os preços quan­do as companhias distribuidoras eventualmente os reduzam”, diz a Fecombustíveis. “Os preços da revenda estão ligados dire­tamente aos preços das com­panhias distribuidoras, ou seja, se elas reduzirem, os postos, consequentemente, também re­passam a redução.” De acordo com a Fecombustíveis, os va­lores praticados pela Petrobras são aproximadamente um terço do preço pago pelo consumidor nos postos, mas é preciso levar em conta também os custos dos biocombustíveis, impostos, fre­tes e as margens de lucro.

A nota da entidade ressal­ta que, se o preço da gasolina nas refinarias caiu 23,8% de 25 de setembro a 7 de novembro, o custo do etanol anidro subiu 5,7% de 21 de setembro a 1º de novembro. “No caso do diesel, a redução média foi de R$ 0, 24 por litro nas refinarias Petro­bras. Já o biodiesel, em virtude do último leilão promovido pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), aumentou entre R$ 0,03 e R$ 0,04 o litro.”

A Fecombustíveis admite que, até o momento, a redução de preços do diesel não foi re­passada integralmente pelas dis­tribuidoras. A entidade ressalta ainda o impacto decorrente do preço de pauta para cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e serviços (ICMS). Na conclusão do texto, lembra que os preços dos combustíveis são livres em todos os segmen­tos e que não interfere no mer­cado. Cabe a cada posto reven­dedor decidir se repassa a queda de preços nas refinarias ao con­sumidor final, “de acordo com suas estruturas de custo”.

No entanto, a entidade não explica porque quando a Petro­bras eleva os preços nas refina­rias, o reajuste é repassado au­tomaticamente ao consumidor. Segundo a ANP, o preço médio da gasolina caiu em Ribeirão Preto na semana passada, em comparação com a anterior, e recuou 1,8%, de R$ 4,724 para R$ 4,639 em média, desconto de de R$ 0,085 por litro. Mas o litro do diesel está mais caro.

Passou de R$ 3,573 para R$ 3,673, aporte de R$ 0,10 e elevação de 2,8%. O etanol ri­beirão-pretano custa R$ 2,688, de acordo com a agência, e é o segundo mais barato do estado de São Paulo, atrás do vendido em Bauru (R$ 2,683). O valor do derivado de cana-de-açúcar caiu 3,55% nas bombas da cidade em relação à pesquisa anterior, quando a ANP constatou que o preço médio era de R$ 2,787, ou R$ 0,099 acima do atual.