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Larga Brasa

AS AVENTURAS DO ‘DR. TIÃO MEDONHO’
Muitos anos atrás havia, em Ribeirão Preto, um delegado de Po­lícia Civil cujo apelido era “Tião Medonho”, embora fosse de bom coração. Quando estava de plantão na central da rua Duque de Caxias, o doutor não dormia e nem cochilava em serviço. Ficava a noite inteira fazendo rondas pelos bairros da cidade.

TODO O MUNDO PARA O ‘PELA-PORCO’
No plantão havia um “separado” na grande sala operacional em que ficavam os presos “correcionais”. Todos os suspeitos encon­trados pelas viaturas nas ruas da cidade deveriam ser levados diante da autoridade. Os camburões, lotados, chegavam após passarem pelos conhecidos bares do “último gole”, onde de tudo acontecia. Todos eram levados para o “quadrado” conhecido como “pela-porco”, antes de serem levados para o “pela-porcão”, um lu­gar mais preservado.

ORAÇÃO PARA REMISSÃO DOS PECADOS
O Dr. Tião Medonho parecia ser muito religioso e fazia com que todos os detidos, criminosos em potencial, rezassem por suas al­mas, transformando a grande sala em uma igreja. Os menores à frente e os maiores atrás. O “altar” era a mesa do delegado. Os coroinhas, os policiais civis e militares. Mandava que todos des­sem as mãos e, mesmo com as vozes embargadas pela “marvada da pinga”, os correcionais ensaiavam uma “Ave Maria” e um “Pai Nosso” antes do terço. O delegado Dr. Tião era um verdadeiro ma­estro e regia as nuances do “cantochão”. Quem passava pela rua não imaginava que ali era a Delegacia Central, onde durante o dia funcionavam a Regional e a Seccional.

‘OUVIRAM DU…’
Depois do banho de religiosidade ele dava noções de civilidade e brasilidade. Mandava todos cantarem o “Hino Nacional”. Era uma sequencia de “ouviram Du…” que dava a impressão de disco em­perrado, riscado. Os detidos não reclamavam, até riam.

PARALELEPÍPEDOS SOB O SOL
No fundo do pátio da delegacia havia uma montanha de paralele­pípedos e quem ainda tivesse resquício do álcool sorvido na noite da reza participava do pelotão da pedra – o sujeito retirava a pedra de um lado e colocava do outro. Depois, para exercitar (segundo o delegado), mandava colocá-las de volta de onde haviam sido reti­radas Sol a pino, pleno meio-dia, todos estavam ótimos para irem trabalhar e voltar para suas famílias. Já sem ressaca e sem bebida. Quando um policial parava alguém suspeito ou bebum na rua, a pri­meira pergunta era: “quem era o delegado de plantão?” Se fosse o Dr. Tião Medonho, ninguém queria visitar a rua Duque de Caxias.

 

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