O costume vezo que tem o Estado brasileiro, e a maioria da população de não cumprir as leis vigentes, cria obstáculos e não permitem que nos tornemos uma Nação – e com isso reproduzimos o comportamento do personagem mitológico Sisifo, que quando está quase conseguindo colocar a pedra no alto da montanha, ela escorrega e tem que começar tudo de novo, e assim vamos caminhando.

A educação básica brasileira, apesar de ser regida pelas me­lhores leis do mundo, não consegue sair das ultimas posições nas avaliações internacionais, e vendo o horizonte nebuloso que se aproxima, vemos que a combalida educação básica ainda ficará por muito tempo presa a esse limbo como se fosse o pecado original.

O exemplo cabal da depreciação da educação básica brasileira é a excrecência do projeto apelidado de escola sem partido, que combate explicitamente a pedagogia de Paulo Freire, que é o terceiro pensador mais citado em trabalhos pelo mundo. Só tem um pequeno problema que estes incau­tos desconhecem, ou são induzidos ao erro por uma propa­ganda ideológica calçada no sofisma – Paulo Freire nunca fez parte dos projetos pedagógicos da nossa educação básica, pois se a sua filosofia tivesse sido abarcada por ela, teríamos uma educação básica entre as melhores do mundo.

Apesar das diretrizes da educação básica ser nacional, as responsabilidades por sua execução são dos estados e mu­nicípios, e por conta disso temos discrepâncias gritantes na sua execução. Desde os idos da República que a interferência política partidária causa seus malefícios para a educação básica pública, em locais onde essa interferência foi menor experimentou-se algum avanço, mesmo não sendo estado ou município que fazem parte da população mais rica. Mas estes exemplos exitosos, que mostram que é possível se ter uma educação básica e autônoma que forme cidadãos na sua plenitude, mesmo sendo incipientes, incomodaram a ponto de ser combatido como se fosse um grande mal para o País.

A pedagogia de Paulo Freire trabalha para que o educando seja um ser autônomo e produza seu conhecimento, não seja um simples reprodutor das mazelas do meio em que vive – aprende a usar o conhecimento para transformar, para ser sujeito e não ob­jeto, e isso incomoda a elite de lambe-botas, que quer ver o Brasil sendo eternamente colônia do país poderoso da vez.

As escolas de educação básica brasileira ainda tem o for­mato do século 18/19, com professores sendo o único detentor dos saberes – é um formato que não atende mais aos interesses dos alunos, que já estão no século 21. A falsa afirmação, que ainda é forte no ambiente escolar e no seio da maioria da po­pulação, é a velha máxima de quem educa é a família, cabendo à escola transmitir somente conteúdos programáticos, como se o educando fosse uma ilha e não absorvesse o que acontece ao seu redor e no cotidiano – é uma lastima ver muito docente incorporando essa mentalidade ultrapassada.

A educação formal e informal se dá por observação, e é na convivência e no respeito às adversidades que se constrói uma Nação, não é impedindo que se faça o debate politico dentro das escolas que vamos criar um País mais igualitário. Querer impedir que assuntos do cotidiano de nossas crianças e jovens sejam dis­cutidos no âmbito escolar, através de leis inconstitucionais, é um atraso e um prejuízo imensurável para o futuro do País.

Mesmo nas mais ferrenhas ditaduras não se conseguiram proibir o pensamento, pois ele é livre e viaja pelo tempo e espaço; portanto, a liberdade para expressar os pensamentos é o caminho mais curto para uma educação de qualidade.