O ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil) pediu a revogação de sua pri­são preventiva e a concessão de redução de pena devido a sua efetiva colaboração à polícia e à Justiça pelas revelações e pro­vas apresentados no âmbito da Operação Lava Jato – e em ou­tras apurações.

Em pedido apresentado pela defesa ao Tribunal Regional Fe­deral da 4ª Região (TRF-4), o delator enumera as provas apre­sentadas, como “dois contratos fictícios”, “e-mails”, anotações feitas em sua agenda e em uma tabela “que confirma como era realizada a arrecadação de van­tagens indevidas” por ele e por “outras pessoas mencionadas em sua colaboração”.

A delação de Palocci incri­mina os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, com quem ele tra­balhou no governo e fora, em especial, nas campanhas elei­torais. Entre outras coisas o delator narra cobrança de arre­cadação de propinas “explícita” feito por Lula no caso das cons­truções de navios-sondas para explorar o petróleo do pré-sal, negócios ilícitos na África, en­tre outros.

A petição de 16 páginas as­sinada pelos criminalistas Tra­cy Reinaldet e Matteus Macedo foi apresentada no processo em que foi homologada em junho a delação premiada de Palocci com a Polícia Federal, pelo de­sembargador João Pedro Ge­bran Neto, relator da Lava Jato no TRF-4 – a segunda instância dos processos de Curitiba.

Homologada em junho e parcialmente tornada públi­ca no dia 1º pelo juiz federal Sérgio Moro, dos processos de primeiro grau em Curitiba, a delação foi aceita, mas alguns benefícios pedidos, como a possibilidade de cumprir pri­são em casa e uma redução de suas penas, não.

Por isso, o advogado Tracy Reinaldet informou ao TRF-4 que queria “traçar breves con­siderações sobre a efetividade da colaboração” de Palocci “e sobre as razões pelas quais ele é merecedor de um benefício de redução de pena”.

Palocci enumera que em “três meses de prova” de sua co­laboração, deixou a carceragem da Polícia Federal “por 63 ve­zes, realizando, quando esteve fora do ergástulo (cárcere), 141 horas e 41 minutos de depoi­mento e de análise de dados”. Cita ainda as 7 mil páginas de anotações de suas agendas de 2006 a 2016 com registros das “reuniões espúrias narradas”.

“Os números são expressi­vos e comprovam o intuito co­laborativo de Antonio Palocci, o qual buscou de modo incessan­te narrar à Polícia Federal todos os crimes que praticou ou que teve conhecimento, infrações estas até então desconhecidas.”

A defesa diz que não há mais motivos para manter Pa­locci preso – o ex-ministro foi detido em outubro de 2016. “A celebração pelo peticioná­rio de um acordo de colabora­ção premiada e o rompimento deste com o seu passado de ilicitudes fazem cair por terra o receio de reiteração crimi­nosa”, registra o pedido.