Foto Fábio Pozzebom - Ag.Br.

O juiz federal Sérgio Moro afirmou nesta terça-feira, 6, que assumir o superministério da Justiça “não é um projeto de po­der, é um projeto de tentar fazer a coisa certa”. O magistrado da Operação Lava Jato aceitou as­sumir a Pasta no Governo Jair Bolsonaro (PSL).

“A ideia aqui não é um proje­to de poder, mas sim um projeto de fazer a coisa certa num nível mais elevado, em uma posição que se possa realmente fazer a diferença e se afastar de vez a sombra desses retrocessos”, afir­mou Moro, em entrevista que está concedendo na sede da Jus­tiça Federal do Paraná.

“O objetivo é no governo federal realizar o que não foi feito, com todo respeito, nos úl­timos anos e buscar implantar uma forte agenda anticorrup­ção e aqui eu agregaria, porque é uma ameaça nacional, uma forte agenda também anticri­me organizado.”

Mais de 60 jornalistas esti­veram na coletiva organizada no auditório da Justiça Federal de cerca de 30 órgãos de comu­nicação, entre TVs, rádios, jor­nais, revistas e agências de notí­cias nacionais e internacionais. Moro respondeu a 20 perguntas divididas entre os inscritos por ordem de chegada.

Na abertura da entrevista, Moro fez uma longa explanação sobre os motivos que o levaram a dizer “sim” ao convite de Bol­sonaro. Ele rechaçou suspeitas levantadas pelo PT de que teria agido para favorecer a candida­tura Bolsonaro. “Não posso pau­tar minha vida com base numa fantasia, com álibi falso de per­seguição política.”

Moro embarca nesta quar­ta-feira, 7, para compromissos no escritório de transição e no Ministério da Segurança Pública em Brasília. Será a primeira via­gem à capital federal como futuro ministro da Justiça. A equipe de transição iniciou oficialmente os trabalhos nesta segunda-feira, 5.

Palocci
O juiz Sérgio Moro negou na tarde desta terça-feira, 6, durante coletiva de imprensa em Curitiba (PR), que tenha havido um “vazamento propo­sital” da colaboração premiada do ex-ministro Antonio Palocci durante a eleição presidencial. “Quando se divulga notícia falsa em eleição, é fake news. Quando são verdade, isso é di­reito à informação”, afirmou ele.

O juiz justificou a divulga­ção, feita no dia 1º de outubro, alegando que havia um proces­so no qual ele precisava proferir uma sentença após Palocci ter fechado delação com a Polícia Federal. “Não tinha sequer o di­reito de, por conta das eleições, deixar de tornar públicos aque­les fatos quando havia necessi­dade do processo”, comentou.

Sergio Moro, quando inda­gado, evitou abrir divergências públicas com o futuro presi­dente sobre temas como posse de armas, a redução da maiori­dade penal, o enquadramento de atos de movimentos sociais como terrorismo e a ditadura militar (1965-1984).