DIVULGAÇÃO/ HOSPITAL DAS CLÍNICAS

As irmãs siamesas Maria Ysabelle e Maria Ysadora, de 2 anos, que nasceram unidas pela cabeça e foram separadas em 27 de outubro, após cirur­gia que durou mais de 20 horas – começou às sete da manhã e terminou pouco depois das três da madrugada de domin­go (28) –, deixaram a Unidade de Terapia Intensiva (UTI Pe­diátrica) do Hospital das Clíni­cas de Ribeirão Preto por volta das 17 horas desta quarta-feira, 7 de novembro.

Elas passaram nove dias na UTI Pediátrica do HC – vin­culado à Faculdade de Medi­cina da Universidade de São Paulo (USP). Ainda não há previsão de quando elas terão alta médica e, mesmo depois disso, ainda vão passar um longo período em Ribeirão Preto para os trabalhos de fi­sioterapia – devem permane­cer no Hospital das Clínicas por mais algumas semanas e iniciar o processo de reabilita­ção na mesma unidade, para só depois retornar para casa.

No dia 31, O HC divulgou uma foto em que as gêmeas apa­recem nos colos do pai Diego e da mãe Débora Freitas. “Um dia de alegria que marca a história do hospital”, escreveu a equipe médica junto com a imagem. Separadas e com as cabeças en­faixadas, as meninas passam bem. As irmãs passaram por cinco cirurgias desde fevereiro. A última, como em todos os procedimentos que envolvem as siamesas, contou com apoio de 30 profissionais. O procedi­mento é inédito no Brasil.

A mãe das meninas, Dé­bora Freitas, se emocionou ao contar que pela primeira vez pode pegar uma filha por vez no colo. O pai, Diego Freitas, revelou que pretende levar as meninas para passar natal e Ano-Novo no Ceará, mesmo sabendo que a fase de reabili­tação vai durar meses e deve começar entre o final deste ano e o começo de 2019.

A família, que é de Pata­cas, distrito de Aquiraz (CE), está morando temporaria­mente no campus da USP com o apoio de voluntários. Esse tempo no HC é neces­sário para que a equipe veja se elas vão ter algum tipo de déficit. Todo o processo de separação das meninas é cus­teado pelo Sistema Unificado de Saúde (SUS). Nos Estados Unidos, uma cirurgia de se­paração como a delas custa cerca de R$ 9 milhões.