Vereadores terão prazo para defesa

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O Conselho de Ética da Câ­mara de Ribeirão Preto concedeu prazo de cinco dias úteis para que os seis vereadores citados no rela­tório da Operação Sevandija que a Polícia Federal elaborou após perí­cia no celular do empresário Mar­celo Plastino apresentem defesa. A decisão foi anunciada na manhã desta terça-feira, 12 de setembro, após reunião com do presidente Lincoln Fernandes (PDT) com os demais conselheiros – Isaac Antu­nes (PR), Maurício de Vila Abran­ches (PTB), Fabiano Guimarães (DEM) e Paulinho Pereira (PPS)

Fernandes garante que todos terão amplo direito à defesa. Tam­bém estipulou o mesmo prazo de cinco dias para que a Mesa Direto­ra se manifeste, já que é presidida por um dos citados no relatório da PF. Fernandes destaca que até a tarde de ontem o Conselho de Éti­ca não havia recebido nenhuma representação contra o sexteto – se isso ocorrer, eles poderão respon­der a processo investigatório. O órgão adotou a medida mais leve – pedir explicações – descartan­do a possibilidade de afastamento imediato dos investigados.

Marcelo Plastino é um dos principais alvos da força-tarefa batizada de Operação Sevandija. Dono da Atmosphera Constru­ções e Empreendimentos, foi en­contrado morto em novembro em seu apartamento – a polícia inves­tiga se ele cometeu suicídio.

As denúncias contra os parla­mentares envolvem pagamento de “mensalinho”, apadrinhamen­to político e cabide de emprego – alguns seriam “funcionários fantasmas” e teriam recebido dinheiro público sem trabalhar. O esquema criminoso é inves­tigado pela PF e pelo Grupo de Atuação Especial de repressão ao Crime Organizado (Gaeco).

O relatório cita o presidente da Câmara, Rodrigo Simões (PDT), Maurício Gasparini (PSDB), Ales­sandro Maraca (PMDB), Adau­to Marmita (PR), Jean Corauci (PDT) e Ariovaldo de Souza (PTB), o “Dadinho”. As acusa­ções vão desde recebimento de “mensalinho” de R$ 5 mil por Simões, passando por funcioná­rios fantasmas da Atmosphera (Adauto Marmita, Dadinho e Jean Corauci), pedido de R$ 20 mil para campanha eleitoral de Gasparini e indicação para car­gos por Maraca. Todos os citados negam veementemente qualquer irregularidade ou ato ilícito.

“Vamos analisar pontual­mente cada denúncia, inclusive do ponto de vista jurídico, já que quatro dos seis citados não eram vereadores em 2017”, comenta Fernandes, se referindo a Mara­ca, Marmita, Corauci e Dadinho, todos parlamentares de primeiro mandato. O Regimento Interno (RI) da Câmara prevê uma série de penalidades a serem aplicadas pelo Conselho de Ética, desde uma simples advertência, passando pela suspensão temporária do manda­to e até a cassação.

No total, são mais de 30 nomes citados pelo empresário acusado de pagar propina a funcionários da Prefeitura de Ribeirão Preto e ex-parlamentares para se benefi­ciar de licitações fraudadas. Para a PF e Gaeco, o material encontrado no celular reforça a tese de que o empresário se preparava para fazer um acordo de delação premiada.

O promotor Leonardo Ro­manelli, do Gaeco, diz que os ve­readores citados por Plastino são alvos de apuração paralela ao in­quérito da Companhia de Desen­volvimento Econômico de Ri­beirão Preto (Coderp) e podem ser investigados formalmente no futuro, caso apareçam indícios da participação deles no esque­ma. Deflagrada em setembro de 2017, a Operação Sevandija apontou que a Atmosphera era usada como cabide de empregos por nove parlamentares da base aliada de Dárcy Vera.

Eles indicavam apadrinhados políticos para cargos terceirizados pela Coderp na Atmosphera e, em troca, aprovavam projetos de interesse do Executivo. durante a investigação, a força-tarefa regis­trou uma conversa da então pre­feita com o superintendente do Departamento de Água e Esgoto (Daerp), Marco Antônio dos San­tos, em que discutiam a compra de apoio político na Câmara.

Ainda de acordo com os pro­motores de Justiça, os parlamen­tares recebiam propina e os paga­mentos eram feitos em encontros chamados por Plastino de “café”. O novo relatório da Polícia Federal também fala de indícios de pa­gamento de propina a ex-prefeita Dárcy Vera, presa em Tremembé, no valor de R$ 1,5 milhão, referen­te ao contrato da coleta de lixo.

Os nove vereadores afastados são Walter Gomes (PTB, preso, então presidente da Câmara), Cí­cero Gomes da Silva (PMDB), José Carlos de Oliveira, o Bebé (PSD), Antonio Carlos Capela Novas (PPS), Genivaldo Gomes (PSD), Maurílio Romano (PP), Samuel Zanferdini (PSD), Evaldo Mendonça, o Giló (PTB, genro da ex-prefeita Dárcy Vera) e Saulo Rodrigues (PRB). Todos negam a prática de crimes e dizem que vão provar inocência.

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