A boa política é uma prova de amor ao próximo. Disso, por sinal, se ocupou o papa Francisco no dia 7 de junho de 2013, durante um encontro com os representantes das escolas Jesuítas na Itália e na Albânia. Indagado de como deve ser o compromisso do cristão no mundo de hoje, o Sumo Pontífi­ce afirmou: “Para o cristão, é uma obrigação envolver-se na política. Nós, cristãos, não podemos fazer como Pilatos, lavar as mãos. Não podemos!”.

O “envolver-se” com a política não significa apenas se co­ligar a um partido político para se tornar candidato a algum cargo público. Política é muito mais do que isso. Segundo o próprio Francisco, “a política é uma das formas mais altas da caridade, porque busca o bem comum.” Os cristãos leigos, portanto, devem se envolver com a política, vendo nela uma missão especial. Trabalhar para o bem comum, portanto, é um dever do cristão.

Política, assim, quando exercida por pessoas dotadas de quatro qualidades fundamentais – honestidade, capacidade, idealismo e coragem – é a maior prova de amor ao próximo. Infelizmente, conforme frisei em pronunciamento recente na tribuna da Assembleia Legislativa (Alesp), o Brasil vive um dos piores momentos da sua história enfrentando, entre outros graves problemas, o da violência.

No Brasil morrem 57 mil pessoas por ano por homicídios. Somos o país com o maior número desses crimes em todo o mundo. As estatísticas mostram: 13% dos assassinatos de todo o mundo acontecem aqui no Brasil. Temos uma mé­dia de 156 mortes por assassinato todos os dias; no Brasil, há mais de 700 mil pessoas encarceradas e somos a terceira maior população carcerária do mundo.

Estatísticas oficiais mostram que, no estado de São Paulo, há uma média de 30 casos de estupros por dia. No Brasil, no ano passado, tivemos 11.089 estupros, conforme dados oficiais; entretanto, como muitos casos de estupros não são denuncia­dos e registrados, os números reais devem ser bem maiores.

Sobre mortes violentas, posso citar ainda o trânsito matando, por ano, no Brasil, 40 mil pessoas. Os desastres no trânsito estão entre as dez principais causas de morte em nos­so país. Para comparação, vale a pena citar: a Alemanha com­pletou um ano inteirinho sem nenhuma morte no trânsito!

Sobre violência, poderia citar outros dados alarmantes, mas penso que os já citados mostram a gravidade da situação no Brasil e a necessidade urgente de uma reação por parte dos líderes nos governos e na Administração Pública; isto é, dos líderes políticos que representam o povo. É triste dizer, mas expressiva parte da população não compreende estar nas mãos dos políticos as iniciativas de ações capazes de dar novos rumos a este País.

Por esse motivo, reitero a necessidade de buscarmos líderes políticos dotados das quatro já citadas qualidades fundamentais: honestidade, capacidade, idealismo e coragem. Compete ao povo, portanto, na democracia, escolher dirigen­tes dotados dessas qualidades para, certamente, no exercício das funções a eles conferidas, darem uma grande prova de amor ao próximo e de amor a toda a nação criando condições para conter essa onda de violência tão prejudicial à tranquili­dade da própria família brasileira.