Nos últimos seis meses assisti e li, em veículos de comu­nicação sérios, absurdos que só não são engraçados porque são diabólicos. O ministro da Economia, Paulo Guedes, vem repetindo que todos os brasileiros devem sacrificar-se hoje por um Brasil fortalecido e melhor de amanhã. Não julgo a pessoa de Paulo Guedes, mas me entristece a afirmação do ministro quando afirma que os juros estão baixando. Para quem? Só de tributos e impostos o brasileiro paga verdadeiras fortunas sem que se veja retorno em bens e serviços de quali­dade, especialmente aos mais pobres.

Por acaso foi o povo brasileiro que “roubou escancarada­mente” a Nação? Os escândalos da corrupção e da ladroeira se escondem atrás dos ternos de figuras, eleitas sim, pelo povo brasileiro, mas que a cada dia mais decepcionam seus eleitores. Poucos se mantêm de verdade “honestos”, antes são manipulados pelas ideologias partidárias. Não entendo nada de economia. Apenas sei que não se pode “dar o passo maior do que é a perna”!

Não consigo entender como o dinheiro comprovadamente roubado da Petrobras e de outras estatais demora tanto para ser ressarcido. Falam de mais de R$ 40 bilhões desviados, enquanto só foram devolvidos até agora algo em torno de R$ 2 bilhões. Não deveria ser este dinheiro a retornar aos seus devidos lugares. Por que sempre o povo é obrigado a pagar a conta? Por que não acontecem verdadeiras contenções de despesas no governo federal, estadual e municipal?

Para grandes e megalomaníacos projetos sempre há verba disponível. Já para projetos sociais, educação, saúde e infraes­trutura faltam verbas. Já sei: “Quando se encurta uma calça, corta-se nas barras das pernas e nunca na cintura…”.

A desigualdade social mais acentuada se percebe entre Brasília e o Brasil. Entre a máquina dos três Poderes e o povo trabalhador e pobre. O trabalhador tem descontos em cada centavo que consome; já o pobre continua alimentando-se de “migalhas daqui e dali”. E os desempregados? Quando terão novas oportunidades? Já passam de 14 milhões os brasileiros em busca de uma oportunidade de trabalho digno.

Fala-se que privilégios serão dirimidos. Salários e aposen­tadorias milionárias é que serão alcançadas pela reforma da Previdência Social. Será mesmo? Quem tem direitos adqui­ridos não abrirá mão de que seu salário seja reduzido. Quem ainda não adquiriu direitos, poderá ter a esperança de que tipo de velhice?

Basta irmos à farmácia. Mensalmente há aumento de medi­camentos necessários para a sobrevivência, principalmente dos mais pobres. Alguém já viu algum deputado, senador, presi­dente da República servir-se de um hospital público, sendo tratado pelo SUS? Não podemos ignorar as filas, a demora na prestação de exames e atendimentos mais dignos da maioria da população brasileira, sempre a mesma porção “castigada” pelo desvio de verbas públicas de seu verdadeiro destino.

Quem afirmou isso foi o próprio Dr. Hélio Bicudo, que confirmou o que já sabíamos: “A corrupção está nas gran­des fortunas”! Sejamos mais conscientes e pensemos não na política personalista, mas no bem comum de cada brasilei­ro! Não é justo que os pobres paguem a conta. A crise não é só econômica e política. Antes, a crise é moral! Ao invés de exigir sacrifícios dos pobres, devolvam-se os vultosos desvios de verbas dos cofres públicos. Quem rouba um pobre, merece uma pedra de moinho no pescoço e fundo do mar!

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