Já foi tarde o Sr. Vélez Rodrigues. Quem não tinha condições de administrar o banheiro da sua própria casa, não teria as míni­mas condições de gerir o mais importante ministério do governo federal com bilhões de reais no seu orçamento. Os três meses de sua tragédia demonstram muito bem a balbúrdia que virou este governo da extrema-direita. Na campanha, não se expôs, ninguém soube de seus planos, não tinha e continua não tendo equipe, só aposta na disputa ideológica para manter coeso o seu rebanho de desprovidos de inteligência. E na segunda passada, a nação foi informada pelo twitter que houve uma troca no Minis­tério da Educação. Mais uma vez… pelo twitter. O presidente não quer nenhuma intermediação.

A crise no MEC vai continuar. O autoproclamado filósofo terraplanista e ideólogo da extrema-direita Olavo de Carvalho continuará influenciando no órgão. Abraham Weintraub, o novo ministro, já disse que era preciso adaptar as teorias do escritor para “derrotar a esquerda”. Sem formação ou experiência em ges­tão de políticas educacionais, ele trabalhou 18 de seus 47 anos no Banco Votorantim. Passou depois pela Quest Corretora. Por fim, tornou-se professor da Universidade Federal de São Paulo (Uni­fesp). Trata-se de uma figura do mercado financeiro para gerir a educação nacional. Não entende nada de educação. Indicado por Ricardo Guedes em aliança com os “olavetes”. E ponto final.

Essa troca no comando do MEC foi vista com desconfiança por membros da cúpula militar do governo. Para ela, representaria a continuidade da crise que paralisou o MEC. Oficiais generais da ativa e da reserva defendiam a escolha de um nome técnico, gestor respeitado no mercado e na academia e não incluía o nome de Weintraub. Outro motivo para o descontentamento da ala militar é o fato de a indicação do novo ministro ter sido avalizada publica­mente por um dos filhos de Bolsonaro mais próximo de Olavo, o deputado federal Eduardo (PSL-SP). Segundo o jornal, a conduta foi vista por setores militares como uma provocação. Até porque Olavo continua fazendo críticas e ofensas públicas aos generais Mourão, vice-presidente, e Santos Cruz, secretário de Governo.

Assim como Vélez Rodrigues, o novo ministro Abraham Weintraub coleciona uma série de afirmações idiotas. Nunca escreveu um artigo sequer sobre educação. São bastante conheci­das as suas disputas e brigas com alunos e colegas professores na Unifesp. Ele atacou nordestinos ao defender que as universidades da região não deveriam oferecer cursos como Sociologia e Filo­sofia. E ipsis litteris, “Os comunistas são o topo do país. Eles são o topo das organizações financeiras; eles são os donos dos jornais; eles são os donos das grandes empresas; eles são os donos dos monopólios…”. Para ele, então, os comunistas já estão no poder e o grande alvo das “pessoas de bem” deveria ser o combate ao “marxismo cultural”. É muito para a nossa cabeça.

Para o articulista Reinaldo Azevedo, com a troca de ministros, Bolsonaro decidiu dobrar a dose do remédio errado. Para ele, “Abraham Weintraub pode não ser um daqueles alunos online da Escolinha do Professor Raimundo de Olavo de Carvalho, mas pertence à mesma estirpe. A sua contribuição mais notável ao debate, até agora, é afirmar que a melhor maneira de comba­ter um esquerdista é lhe dizendo alguns palavrões. À moda do ‘professor Olavo’.
Desse jeito, o Ministério da Educação caminha para a entropia. O que muda de Vélez Rodríguez para Weintraub? Este, visivelmente, é dotado de mais autoconfiança, o que, dado o conjunto da obra, pode piorar tudo.” Sou obrigado a concordar com Reinaldo Azevedo: com Weintraub na Educação, o capitão presidente só dobra a dose do remédio errado.

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