As fotos estampadas nas primeiras páginas dos grandes jornais de São Paulo não deixam dúvidas quanto à verdadeira estupidez perpetrada por seres humanos contra seus seme­lhantes. Em quase dois mil anos de era cristã parece que não aprendemos nada. As máquinas de guerra estão cada vez mais destruidoras. Mata-se por atacado em nome de qualquer coisa que pareça justa para o agressor: política, fronteiras, diferentes etnias, petróleo e até, por mais incrível que possa parecer, religião. Agora a TV nos mostra novo capítulo da eterna matança entre árabes e judeus no Oriente Médio.

A primeira página do jornal “O Estado de São Paulo” em anos passados mostrou imagem que retrata bem a irraciona­lidade de uma guerra. Nela um homem de origem albanesa, aos prantos, com uma linda criança nos braços, chega ao aeroporto da Macedônia de onde será levado para um dos países da OTAN para receber asilo temporário. O que dizer para essa criança inocente, expulsa de sua terra, sendo levada para um lugar estranho, sabe-se lá por quanto tempo? Como falar de solidariedade, de fraternidade, de amor, e não de crueldade, estupidez e desamor? O que esperar dessa criança traumatizada, no futuro, se é que ela terá um futuro?

A “Folha de São Paulo” também estampou, no mesmo ano, fotos de duas crianças feridas: o kosovar Dren Caka, único sobrevivente de um massacre que matou 19 pessoas, inclusive sua mãe e suas irmãs; e o sérvio Marko Miladinovic, um dos 28 civis feridos em um ataque da OTAN a um bairro residencial. É a bárbara rotina da guerra se repetindo, não importando o lado.

Em cada conflito sempre surge a pergunta: com quem está a razão? Cada parte divulga sua versão. Sempre predomina a ver­são do mais forte, do mais poderoso, do vencedor. Já não dá mais para confiar nisso. Não dá mais para acreditar nas versões ma­niqueístas, da luta do bem contra o mal. Do mocinho contra o bandido, a que os filmes de bang bang nos acostumaram.

A razão nunca está com nenhuma das partes que usa da violência para impor seus princípios. Todas as pessoas sensatas, não importa em que lado da trincheira se encon­trem, perdem com a guerra. E quem ganha? Talvez a matéria publicada na “Folha de São Paulo” aponte o caminho. Seu título é muito sugestivo: “A indústria bélica norte-americana está batendo todos seus recordes de vendas”.