O concurso da Polícia Militar do ano passado recebeu 137 mil inscrições e, com muita dificuldade, foram selecionados 2.200 concorrentes. Entre eles havia jovens de vários estados brasileiros tentando a chance de ser um soldado da PM de São Paulo. Após quase um ano de estudos, muita ralação, muita paciência, muitas saudades, muito aprendizado, muita dedicação dos instrutores e comandantes, às dez horas da manhã de 23 de novembro de 2018, entre lágrimas e abraços, os 1.812 valentes guerreiros finalmente realizaram o sonho de se tornar um policial militar.

Eles jamais esquecerão este dia, até porque, depois de tudo que passaram, o local escolhido pela organização foi o Anhem­bi, a “Passarela do Samba”, bem ali onde escolas de samba encantam o mundo com muito brilho, cores, carros alegóricos cinematográficos, show dos passistas sob o som dos surdos e cuícas… Desta vez, porém, a passarela se vestiu com as cores da nossa bandeira para dar boas-vindas aos novos policiais e os passos foram da tropa marchando. Ali os jovens prestaram ju­ramento diante de milhares de pessoas, prometendo defender a nação com o sacrifício da própria vida.

Os quase 400 que não conseguiram estar entre os 1.812 formandos foram desligados por motivos diversos. Alguns se acidentaram e não tinham condições de acompanhar os demais, ficaram para a próxima escola. Alguns foram elimi­nados por indisciplina, outros por não suportarem a mudan­ça de vida em relação àquela que estavam acostumados. Pra ser um militar tem que gostar de ser militar, é uma carreira desafiante. Ser militar é uma honra, sem contar que numa escola militar você faz amigos para toda a vida.

Acompanhei a trajetória de um aluno que ficou o ano de 2017 todinho se deslocando até a capital paulista e cumprindo as etapas de exames. A cada volta sua, dizia quantos haviam sido reprovados. Disse também que nossa língua portuguesa reprovou muita gente, daí a importância de uma boa escola. Ainda teve uma prova tipo surpresa, que também passou a régua em muitos candidatos, assim como o exame toxicológico.

Muitos candidatos, ao chegarem ao local de coleta do material para o teste, vazavam sem olhar pra trás. Outros que usaram dro­gas dias antes achavam que não daria positivo e saíam frustrados. Enfim, os 1.812 formandos merecem todo nosso respeito e admi­ração. Eu estava lá, na “Passarela do Samba”, naquela sexta-feira de muito sol. As arquibancadas estavam lotadas de esposas, mães, pais, avós, namoradas e amigos.

Os formandos ficaram de frente para o palanque lotado de autoridades – até o governador Márcio França (PSB) estava lá. A formação estava impecável, o toque do trompete substituiu a voz de comando e, após três dias de cansativos ensaios, tudo saiu perfeito. Valeu muito a pena, pois foi maravilhoso, a cada deslo­camento da nossa bandeira, protegida pela sua guarda, a banda atacava com o emocionante Hino à Bandeira, e quando cantamos nosso Hino Nacional a arquibancada foi à loucura, até arrepiou.

Fiquei próximo da cerca de proteção e assim pude ver a tropa passar, pelotão por pelotão. Era isso que eu e minha esposa queríamos, pois quem acompanhamos por dois anos, torcendo por ele, sofrendo com ele, iria passar bem pertinho da gente, puxando seu pelotão, e ele estava um lindo soldado, imponente com seu 1,93 metro de altura.

Quando isso aconteceu, um filme passou pela minha cabeça. As três músicas que compus pra ele sendo, que na última, estava com 12 anos e eu escrevi na letra “cada degrau que na vida con­quistar, olhe do lado, você vai me ver”. E ali estava eu, vendo o rapaz conquistar um de seus sonhos. Dos 137 mil inscritos, entre os 1.812 formandos, estava o jovem soldado Bueno, meu amado neto.

Sexta conto mais.

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