A polêmica do trem turístico

0
732

A polêmica sobre o trem turístico de Ribeirão Preto, que prevê a recuperação de uma li­nha com oito quilômetros de trilhos, restauração de estações e de locomotivas, a cada dia ga­nha um ingrediente novo para apimentar ainda a mais a dis­cussão. Já teve até outra cidade tentando tirar uma maria-fu­maça da Estação Ferroviária Mogiana, que só não foi trans­ferida graças a uma liminar da 7ª Vara Federal concedida ao procurador da República An­dré Luiz Morais de Menezes.

A Associação de Mora­dores da Vila Tibério é con­tra a utilização da locomotiva “Amália” no projeto. A má­quina está na praça Francisco Schmidt e é o último resquício da estação de trem por onde desembarcaram milhares de imigrantes que vieram traba­lhar nas lavouras de café. Câ­mara aprovou a instauração de Comissão Especial de Es­tudos (CEE) para acompanhar o caso. Vereadores vão pedir o tombamento das marias-fu­maça. Duas entidades também disputam a paternidade do projeto de trem turístico.

Linha entre cidades – Ago­ra, mais uma novidade: o secre­tário municipal de Turismo, Ed­milson Domingues, conta que a prefeitura de Ribeirão Preto também defende a implantação de outro projeto de trilhos, uma proposta de linha intermunici­pal. “É um projeto apresentado pelo Consórcio dos Municípios da Mogiana (CMM), envolven­do as cidades de Ribeirão Preto, Cravinhos, São Simão e Tam­baú. Seria um passeio de trem de ida e volta”, diz.

O prefeito Duarte Nogueira Júnior (PSDB) entregou o proje­to ao ministro do Turismo, Max Beltrão, em outubro passado, durante encontro de prefeitos na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). “Mas é outro projeto”, emenda Domingues.

Domingues confirma que a prefeitura deu preferência ao projeto apresentado pelo Ins­tituto História do Trem. “Isso porque esse projeto não envol­ve recursos municipais. Todos sabem a atual situação finan­ceira da prefeitura e não pode­mos onerar os cofres públicos”, diz. O secretário explica que deverá pedir apoio ao deputa­do federal Baleia Rossi (MDB).

Segundo ele, não será para obtenção de verba pública, mas intervenção junto ao De­partamento Nacional de In­fraestrutura de Transportes (Dnit) para que a locomotiva que está na Estação Ferroviá­ria Mogiana fique na cidade para a implantação do proje­to. “Além disso vamos pedir a intervenção dele para doação dos trilhos que existem entre a Estação Barracão (no Ipiranga) até a Mogiana, pois eles estão em áreas da esfera federal”, res­salta Domingues.