A rua de quatro mãos: “beco” da Rondon (ou do Nogueirinha?)

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“Este é o samba do crioulo doido.
A história de um compositor que durante
muitos anos obedeceu o regulamento.
E só fez samba sobre a história do Brasil.
(…)
Até que no ano passado escolheram um tema
complicado: a atual conjuntura.
Aí o crioulo endoidou de vez, e saiu este samba.”

É mais ou menos por aí. Hoje, Sérgio Porto aqui comporia a versão moderna do seu “samba do crioulo doido” (de Ribeirão). Reproduziria a nossa realidade. Sem se esforçar.
Afinal, vocês conhecem alguma rua de 4 (quatro) mãos? É como aquelas das redondezas da Sé, no centro de São Paulo, onde você entra, roda-roda e só sai depois de “homenagear” o seu criador, mandando pra…

Dá para entender: São Paulo é antiga, confusa e ninguém se atreve consertá-la. Não é o nosso caso.
Aqui deve ter algum “beco sem saída” pouco conhecido. O mais novo está prestes a ser inaugurado. Pode ficar mais famoso que a grande obra da Avenida Portugal. Ficará logo ali entre dois supermercados, o da Avenida Independência e o da Nove de Julho.

Você começará pela rua Marechal Rondon (no início, na Indepen­dência) com mão até a Avenida Presidente Vargas. Atravessa e segue até a esquina da Rua Dr. Soares Romeu. Nesse ponto você dobrará à esquerda e retornará para a Presidente Vargas, de onde veio (?).

Se o seu destino for o outro supermercado, na Nove de Julho, você precisará abandonar o percurso e (retornando à Independên­cia) descerá (quatro quadras) e rodar à direita. Logo chegará, se o tanque estiver abastecido.

Quem escolher a Marechal Rondon terá que mudar a rota na esquina da Soares Romeu: a partir dali ela não lhe permitirá descer, será mão contrária (só para subir), desde a Nove de Julho.

A essa altura, do outro lado da Marechal Rondon (antes da Nove), quem subir não passará da Nove de Julho: será obrigado dobrar à direita e retornar à Independência!!!

Quem vem da Independência pela Nove de Julho, na esquina do supermercado dobrará à direita e subirá a Marechal Rondon, só duas quadras porque logo dará de frente com algum carro, descendo em velocidade (cumprindo a mão acostumada há 70 anos).

Admitindo que você entendeu o roda-roda dos técnicos da Pre­feitura, tente novamente. Ou desista de vez, porque já terá perdido a hora do compromisso marcado.

Se você não entendeu não se preocupe. Estamos juntos!

Como São Paulo, as ruas têm apelidos. Se precisar, não pergunte pelo nome, porque ninguém conhece (“Não sou daqui, moço!”) Pre­ferível procurar pelo “beco da Rondon”. (“É logo ali, o roda-roda!”).
Com certeza o prefeito Nogueira nem sabe da inovação: grandes obras também têm seus “becos” inexplicáveis.

Não há dúvida a importância da obra da ex-rotatória (Portugal, Nove de Julho e Diederichsen), mas não menos respeitável é o bem estar da população, dos moradores das imediações, porque estes não vão todos os dias ao supermercado. Mas todos os dias entram e saem de suas casas, várias vezes (qual o seu endereço? No “beco” da Rondon!).

O interesse público deve estar sempre acima dos demais. Evitar o transtorno. Antes que a população inaugure o “beco” da Rondon. Este é prático, comunicativo, todos entendem.

Nogueira tem raízes na política local. Seu pai, no final, evitava os mal entendidos e tirava proveitos eleitorais. O filho não vai querer inaugurar a era dos “becos”! A não ser que o “samba…” tenha nova versão. Aguardemos.

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