Jornal Tribuna Ribeirão

‘Abono’ injetará R$ 652 mi em RP

ALFREDO RISK

Um levantamento realiza­do pelo Instituto de Econo­mia Maurílio Biagi (Iemb), da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp), com dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Tra­balho, aponta que o pagamen­to das duas parcelas do décimo terceiro salário deve injetar R$ 652.574.613,58 líquidos na economia ribeirão-pretana.

O montante do abono sa­larial deste ano é 8,29% su­perior aos R$ 602.597.770,35 liberados em 2020, acréscimo de R$ 49.976.843,23 em 2021. O valor bruto, contando com os encargos trabalhistas, che­ga a R$ 733.229.902,89. Por meio de nota enviada ao Tri­buna, a Acirp informa que o décimo terceiro de aposenta­dos e pensionistas do Institu­to Nacional do Seguro Social (INSS) já foi liberado, por­tanto não entra nesta conta.

Segundo o Instituto de Economia Maurílio Biagi, a primeira parcela – livre de descontos – deve injetar R$ 366.614.951,45 em Ribeirão Preto até 30 de novembro. Já a segunda, com os descontos previstos em lei, será de R$ 285.959.662,13 e terá de ser paga até 20 de dezembro. O valor é a soma das folhas de pagamentos dos cinco prin­cipais setores da economia ri­beirão-pretana: comércio, ser­viços, indústria, construção civil e agropecuária.

Segundo a Acirp, o nú­mero de empregados for­mais do comércio aumentou 2,98%, de 61.296 em 2020 para 63.125 neste ano. O salário médio passou de R$ 2.495,16 para R$ 2.607.94, reajuste de 4,52%. Já o montante reser­vado ao 13º do setor saltou de R$ 152.943.327,36 para R$ 164.626.290,27, alta de 7,64%.

No setor de serviços, a quantidade de trabalhadores com carteira assinada saltou de 122.685 para 128.507, au­mento de 4,75%. O salário médio subiu de R$ 3.360,88 para R$ 3.512,79, reajuste de 4,52%. Já o total do 13º pas­sou de R$ 412.329.562,80 para R$ 451.418.332,76, avanço de 9,48%.

Na indústria, o núme­ro de empregados saltou de 23.019 para 24.411, aumento de 6,05%, e o salário médio avançou de R$ 3.002,47 para R$ 3.138,18, reajuste de 4,52%. Os empresários do setor in­dustrial desembolsaram R$ 69.113.856,93 com o 13º em 2020, e neste ano o valor dis­parou para R$ 76.606.152,11, correção de 10,84%.

Na área da construção civil, a quantidade de pes­soas empregadas passou de 12.281 para 13.980, aumento de 13,83%. O salário médio subiu de R$ 2.512,48 para R$ 2.626,04, correção de 4,52%. Já o montante referente ao 13º saltou de R$ 30.855.766,88 para R$ 36.712.096,46, alta de 19,98%.

Por fim, a agropecuária empregava 929 trabalhadores em 2020 e neste ano passou para 944, aumento de 1,61%. O vencimento mensal médio passou de R$ 3.919.28 para R$ 4.096,83, reajuste de 4,52%. O montante liberado para pagar o 13º avançou 6,21%, de R$ 3.641.011,12 para R$ 3.867.031,29.

Os empresários estão oti­mistas, principalmente dos segmentos de comércio, ser­viços de indústria, e apostam em aumento do consumo nes­te final de ano. Porém, muita gente vai usar o décimo ter­ceiro salário para pagar dívi­das. Segundo dados da Serasa Experian, em julho, 254 mil pessoas estavam inadimplen­tes em Ribeirão Preto.

Cada um desses ribeirão­-pretanos devia, em média, R$ 4.626,17 em julho. Com base nestes números, a inadim­plência em Ribeirão Preto no sétimo mês do ano era de R$ 1.179.673,35. Segundo o Mapa da Inadimplência do Serasa divulgado em agosto, o endivi­damento médio por brasileiro era de R$ 3.929.

A expectativa é boa para os comerciantes, que apostam nas datas de Black Friday e Natal para recuperar parte das recei­tas perdidas durante os meses de fechamento devido à pan­demia de coronavírus. As res­trições vigoraram até agosto. A aposta é na demanda represa­da de consumo que se estabe­leceu durante a quarentena.

Brasil
O pagamento do décimo terceiro salário aos trabalha­dores brasileiros injetou cerca de R$ 208 bilhões na economia ao fim do ano passado, calcula a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O montante é 5,4% menor que o total pago em 2019, já descontada a infla­ção do período. A queda foi a mais acentuada da série histó­rica do levantamento, iniciado em 2012.

Em 2019, o pagamento do décimo terceiro salário tinha totalizado R$ 216,2 bilhões. O valor médio pago em 2020 foi de R$ 2.192,71, um recuo de 6,6% ante os R$ 2.347,55 rece­bidos em 2019. Os Estados de São Paulo (R$ 61,5 bilhões), Rio de Janeiro (R$ 22,3 bi­lhões), Minas Gerais (R$ 20,2 bilhões) e Rio Grande do Sul (R$ 14,9 bilhões) concentra­ram mais da metade do dé­cimo terceiro recebido pelos trabalhadores no ano passado.

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