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Ribeirão Preto
7 de julho de 2022 | 13:35
Jornal Tribuna Ribeirão
© Reuters/Paulo Whitaker/Direitos Reservados

Aedes aegypti – Mutirão retira três t de ‘criadouros’

A prefeitura de Ribeirão Preto, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, realizou um grande arrastão no último sábado, 14 de maio, nos bair­ros Jardim Maria das Graças, Jardim Progresso e parte do Parque Ribeirão Preto, na re­gião Oeste. Durante a ação, foram retirados 3.050 quilos de recipientes que acumulam água e recolhidos 100 pneus.

Os trabalhos aconteceram durante todo o período da manhã, com a participação de 110 funcionários da prefeitura, 13 viaturas oficiais e seis cami­nhões cedidos por empresas particulares. Eles fizeram seis viagens com potenciais cria­douros do mosquito Aedes ae­gypti, transmissor da dengue – e também do zika vírus e das febres chikungunya e amarela na área urbana.

Ao todo, foram visitados 4.507 imóveis e 48 focos do ve­tor acabaram detectados pelas equipes. Durante cerca de seis horas, os agentes da Secretaria Municipal da Saúde percor­reram as ruas dos bairros da região Oeste, recolhendo ma­teriais como máquinas de lavar roupas, garrafas, potes, pisci­nas de plástico, dentre outros que poderiam ser criadouros do mosquito.

O trabalho é realizado pela Secretaria Municipal da Saúde com o objetivo de eliminar lo­cais que possam servir de cria­douro para o Aedes aegypti. No dia 7, o arrastão ocorreu no Jardim Marchesi, também na Zona Oeste de Ribeirão Preto. Foram visitados mais de qua­tro mil imóveis pelas equipes de campo, com 50 focos de lar­vas do Aedes aegypti encontra­dos e eliminados.

Materiais inservíveis como latas, garrafas plásticas, carca­ças de eletrodomésticos e ainda mais de 300 pneus, totalizando 4.209 toneladas, foram reco­lhidos. Todos esses materiais encontravam-se jogados a céu aberto, nos quintais das resi­dências e terrenos baldios. No primeiro quadrimestre deste ano, os agentes encontraram criadouros do Aedes aegypti em 10% dos imóveis visitados.

Segundo a diretora da Di­visão de Vigilância Ambien­tal em Saúde, Maria Lúcia Biagini, a cada bairro visi­tado, os agentes têm encon­trado de 300 a 500 focos do Aedes aegypti. Cerca de 170 mil imóveis foram visitados de janeiro a abril de 2022, e em 17 mil foram encontrados criadouros do mosquito.

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“Todo bairro que a gente visita a gente encontra 300, 400, 500 focos. É um absurdo. Significa que nós vamos ficar doentes, a população vai fi­car doente e podemos evoluir para dengue grave”, emenda. Segundo a secretaria, cerca de 30 toneladas de materiais que podem servir de criadouros para o mosquito foram retira­das das casas durante arrastões de limpeza somente neste ano.

A prefeitura também re­colheu cerca de mil pneus abandonados em terrenos baldios. O número de casos de dengue no primeiro qua­drimestre de 2022, em Ri­beirão Preto, é quatro vezes superior ao total de 2021 in­teiro. Entre 1º de janeiro e 30 de abril, a cidade contabiliza 1.602 vítimas do mosquito Aedes aegypti, contra 359 de todo o ano passado. São 1.243 a mais e alta de 346,2%.

A média de infecções che­ga a 13 pacientes por dia na cidade. Em abril, esta taxa era de quase 20. Segundo os da­dos divulgados pela Secretaria Municipal da Saúde, Ribeirão Preto começou 2022 com 52 casos em janeiro, em fevereiro este número saltou para 193, em março disparou para 761 e em abril chegou a 596, queda de 21,7% na comparação com o mês anterior, 165 a menos.

Mas é 527,4% superior do que as 95 ocorrências de mar­ço de 2021. São 501 a mais. Na comparação entre os qua­drimestres, a alta em Ribei­rão Preto chega a 666,5%. São 1.393 vítimas do Aedes aegypti a mais que as 209 do mes­mo período do ano passado. Em relação aos quatro meses anteriores – setembro, outu­bro, novembro e dezembro –, quando foram constatados 30 infecções, o crescimento é de 5.240%. São 1.572 a mais.

O aumento de casos da do­ença acende o sinal de alerta na cidade. O trabalho das equipes da Divisão de Vigilância Am­biental é desenvolvido durante o ano todo, mas é fundamen­tal a conscientização e ajuda da população no combate à proliferação do mosquito que transmite a dengue.

O Índice Predial (IP) da dengue em Ribeirão Preto era de 4,4 no primeiro trimestre do ano – a cada 100 imóveis vistoriados pelos agentes de controle de vetores, mais de quatro têm focos do mosqui­to Aedes aegypti, ou 4,4%. O levantamento do índice lar­vário foi elaborado pela Divi­são de Vigilância Ambiental em Saúde.

O Índice de Breteau (IB) in­dica que há seis focos do mos­quito da dengue em cada um dos locais com criadouros. Oitenta por cento dos focos de dengue estão em imóveis resi­denciais, por isso, a conscien­tização da população é funda­mental. A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) investiga mais 5.834 pacientes que podem es­tar com a doença – aguarda o resultado de exames.

Não há mortes por den­gue neste ano na cidade, assim como ocorreu em 2021. Em 2020, ocorreram onze óbitos, mas um caso era importado de São Simão. No total oficial, Ri­beirão Preto fechou 2020 com dez ocorrências fatais, sete a mais do que os três falecimen­tos de 2019, alta de 233,3%.

O número de dez mortos pelo Aedes aegypti é o maior em pelo menos seis anos (des­de 2016). Antes de 2019, a ci­dade não registrava óbito em decorrência da infecção desde 2016, quando nove pacientes não resistiram aos vírus.

No ano passado, a Zona Leste liderou com 165 ocor­rências. Depois aparecem as regiões Oeste (63), Norte (51), Sul (46) e Central (34). Em 2022 são 578 na Zona Leste, 463 na Norte, 265 na Central, 152 na Oeste e 126 na Sul, além de 18 registros sem identifica­ção de distrito.

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