MARCOS PAPA/ DIVULGAÇÃO

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Eutanásia, vereador Marcos Papa (Rede Sustentabilidade), de­nuncia que, por falta de pagamen­to, a prefeitura de Ribeirão Preto está sem o serviço de recolhimen­to de animais de grande porte de vias públicas.“Temos essa infor­mação extra-oficial, porém, do proprietário da clínica que vinha prestando serviço à administra­ção”, diz o parlamentar.

Segundo Papa, a Clínica Veterinária Ricardo deixou de prestar serviço à prefeitura por falta de pagamento – estaria sem receber há três meses. Lembran­do que em outubro o prefeito Duarte Nogueira Júnior (PSDB) anunciou corte de 15% do or­çamento restante e suspendeu o pagamento de fornecedores e prestadores de serviços, mas em novembro liberou a quitação de dívidas de até R$ 35 mil.

“Isso gera uma situação como a da ‘potrinha’ que agonizou até a morte porque não havia uma empresa contratada com um mé­dico veterinário para proceder a eutanásia, como determina a lei”, denuncia Papa. A potra morreu nesta semana. Na sessão da Câ­mara de terça-feira, 4 de dezem­bro, o vereador mostrou fotos do animal em sofrimento. “Essa é uma situação de sofrimento me­dieval que nós não podemos acei­tar mais em Ribeirão Preto. Levei esse caso pessoalmente ao prefeito e fica aqui, mais uma vez, esse cha­mado. A cidade não pode tolerar esse tipo de situação”, frisa.

Para Marcos Papa, a prefeitura precisa tomar providências ime­diatas. “De duas, uma: ou retoma o pagamento para a empresa vol­tar a prestar o serviço e evitar que esse tipo de cena medieval, inacei­tável com os animais, aconteça de novo, ou contrata outra empresa e aí honre os compromissos de pagamentos”. O presidente da CPI da Eutanásia acrescenta: “A Clínica Ricardo abandonou o ser­viço porque o contrato lhe dá esse direito quando há inadimplência por parte da prefeitura. A prefei­tura não paga o serviço e o pres­tador não é obrigado a manter os empregados sem receber”.

Segundo Papa, a suspensão do contrato e a morte da potra constarão nos autos da CPI da Eutanásia. “A CPI da Eutanásia nos levou a vários procedimentos, dentre eles a convocação do secre­tário de Meio Ambiente (Otávio Okano), que assustadoramente revelou que soube que a Coor­denadoria de Bem-Estar Animal passaria aos cuidados de sua pas­ta por meio do Diário Oficial do Município. Fato é que o secretário reagiu corretamente e hoje a Cbea conta com mais um veterinário e também a farmácia que estava praticamente desativada”, ressalta.

Em nota enviada ao Tribuna, a prefeitura, através da Coordena­doria do Bem-Estar Animal, não confirmou o atraso no pagamen­to. Disse apenas que tem traba­lhado para a melhoria do setor. Já realizou aproximadamente 1.500 castrações gratuitas neste ano e faz mensalmente feiras de adoção de gatos e cães. Com relação aos animais de grande porte, avisa que já estão em andamento os trâmites para novo procedimen­to licitatório para o recolhimen­to desses animais.

A Clínica Ricardo também já esteve envolvida em outra polêmi­ca da Cbea: a morte de um cavalo no Jardim Branca Salles, na Zona Oeste, que teria ficado cinco dias com as quatro patas quebradas e sem atendimento, às margens de um córrego, agonizando até que ocorreu uma polêmica eutaná­sia. O veterinário dono da clínica, Ricardo de Almeida Souza, afir­mou em depoimento à CPI que que não teria sido avisado sobre o caso e que a decisão de sacrificar o eqüino era responsabilidade ex­clusiva da Cbea. Ou seja, da coor­denadora Carolina Vilela.