Antonio Bivar morre aos 81 anos

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Dramaturgo, biógrafo, jornalista, roteirista, cronista, diretor e produtor musical, entre outras funções, Antonio Bivar passou a infância e a adolescência em Ribeirão Preto: é irmão do artista Leopoldo Lima

Dramaturgo, biógrafo, jornalista, contista, romancista, tradutor, ator, roteirista, cronista, diretor e produtor musical Antonio Bivar morreu neste domingo, 5 de julho, aos 81 anos, vítima do coronavírus. Ele estava internado em São Paulo, no hospital Sancta Maggiori, desde meados de junho.  Tem fortes ligações com Ribeirão Preto e é irmão do artista Leopoldo Lima (1933-1996), um gênio da xilografura que morreu em 23 de junho de 1996, aos 62 anos.

Nascido Antônio Bivar Baptistetti Lima, ganhou projeção no final dos anos 1960. É autor de clássicos do teatro nacional, como “Cordélia Brasil” (1967) e “Abre a janela e deixa entrar o ar puro e o sol da manhã” (1968). Antonio Bivar é também autor de vários livros. Pela lendária coleção Primeiros Passos, da Brasiliense, ele publicou “O que é punk”. O livro foi reeditado recentemente pelas Edições Barbatana com o título “Punk”.

Lançou também, pela L&PM, “Verdes vales do fim do mundo”, sobre uma temporada que passou em Londres quando conviveu com outros nomes da cultura brasileira, todos exilados na Inglaterra por causa da ditadura militar, e viveu o auge da contracultura. Em 2014, saiu o primeiro volume de sua autobiografia. “Mundo adentro vida afora” (L&PM) compreende seus 30 primeiros anos de vida.

No ano passado, pela Humana Letra, publicou “Perseverança”, que seria o quinto volume sobre sua trajetória, abarcando o período de 1982 a 1993. Foi um dos organizadores do festival punk “O começo do fim do mundo” (1982), marco do movimento punk nos anos 1980, no Sesc Pompéia, em São Paulo, que contou com a participação das bandas Cólera, Inocentes, Juízo Final, Olho Seco e Ratos de Porão. Em 1996, quando da morte de seu irmão Leopoldo Lima, Biva concedeu uma extensa entrevista ao Tribuna de Ribeirão Preto. Seus sobrinhos ainda residem na cidade paulista.

Bivar estava de viagem marcada para Londres. Sua obra reúne dramaturgia, romance, conto, ensaio literário e autobiografia. A variedade de gêneros é proporcional à riqueza de sua trajetória. Como escritor, fez parte do grupo de dramaturgos que, no final dos anos 1960, apontou novos rumos para o teatro brasileiro. Como produtor cultural, participou de iniciativas históricas. Essas atuações abrangem o interesse pela escritora inglesa Virginia Woolf (1882-1941). Passou anos estudando sua vida e obra, junto ao grupo de Bloomsbury, na Inglaterra.}

Foto: Divulgação/Paulo Freitas