ROBERTO JAYME/TSE

O presidente Jair Bolsona­ro anunciou nesta terça-feira, 20 de julho, a indicação do atual procurador-geral da República, Augusto Aras, para um novo mandato de dois anos à frente do órgão. Indicado pelo próprio Bolso­naro em 2019, Aras termina­rá o mandato em setembro.

Em comunicado oficial, Augusto Aras disse se sentir honrado com a recondução pelo presidente. “Honrado com a recondução para o cargo de procurador-geral da República, reafirmo meu compromisso de bem e fiel­mente cumprir a Constitui­ção e as leis do país”.

Aras ainda precisa ser novamente sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e, se aprovado, a recondução ainda deverá ser votada pelo plenário, por maioria sim­ples. Se confirmado para um novo mandato, ele ficará no cargo até 2023.

Com a indicação de Aras, Bolsonaro deixou de lado a lista tríplice apresentada por representantes do Ministério Público Federal (MPF) em eleição interna. Os indicados eram os subprocuradores Lui­za Frischeisen, Mario Bon­saglia e Nicolao Dino. A lista do MPF não tem força legal.

Também não precisa ser seguida pelo presidente da Re­pública na indicação, mas era uma prática que vinha sendo adotada pelos antecessores de Bolsonaro. A subprocurado­ra Luiza Frischeisen venceu a eleição com 647 votos, segui­da por Mario Bonsaglia, que teve 636 votos, e por Nicolao Dino, com 587 votos.

Todos eles faziam oposição à postura de Aras, que serviu como escudo de Bolsonaro e de seus filhos ao longo de seu primeiro mandato à frente da Procuradoria-Geral da União. Além das críticas pela falta de atuação em relação ao gover­no, uma das principais con­trovérsias envolvendo o atual procurador-geral é a cruzada promovida por ele contra a Operação Lava Jato.

Aras pôs fim às forças-ta­refa como grupos de trabalho isolados e integrou os procu­radores em Grupos de Atua­ção Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaecos). Em setembro do ano passado, ele pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que rejeitasse ação que questionava o direito do senador e filho do presiden­te, Flávio Bolsonaro (Republi­canos -RJ), ao foro privilegiado no caso das “rachadinhas”.

Em maio, Aras enviou ao Supremo parecer contra a abertura de investigação sobre os R$ 89 mil em cheques de­positados na conta da primei­ra-dama Michelle Bolsonaro pelo ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz, pivô da in­vestigação das “rachadinhas” envolvendo Flávio, e pela mu­lher dele, Márcia Aguiar.