22 C
Ribeirão Preto
7 de julho de 2022 | 12:21
Jornal Tribuna Ribeirão

As festas juninas

Apesar de pouco representativas no centro e sul do Brasil, as festas juninas trazem ao nordeste um tempo de comemorações e festivais. As cidades são decoradas com as tradicionais bandei­rolas, os produtores familiares colhem suas espigas de milho, que irão se transformar na canjica, no curau, na pamonha, o quentão junta a cachaça com o gengibre e outras especiarias e o amen­doim se incorpora no tradicional pé de moleque, tudo à venda na grandiosa quermesse.

A maior das festividades dá-se em Campina Grande, na Paraíba, movimentando mais de dois milhões e meio de visitantes, mas a participação popular é grande em todas as cidades da região.
No centro e sul do Brasil, a tradição das festas juninas sobre­vive principalmente nas escolas, onde as crianças se fantasiam de caipiras, com roupas chamativas e remendadas e dançam a esperada quadrilha.

A origem dessas festas perde-se no tempo. Eram festivais pagãos, realizados no solstício de verão, que, no Hemisfério Norte, ocorre entre os dias 20 e 21 de junho, quando a duração do dia é a maior do ano. Realizavam-se festividades para cultuar o deus Sol, fonte de vida, pedindo sua proteção para as colheitas. Quando a escuridão chegava, acendiam-se fogueiras para reproduzir o fogo do Sol.

No antigo Egito, a chegada do verão coincidia com o período das cheias do rio Nilo, fertilizado com as terras de aluvião por elas trazidas, permitindo o plantio de alimentos em suas margens e mantendo a liderança egípcia na produção de grãos. Os moradores acreditavam que a cheia do Nilo eram as lágrimas da deusa Ísis, lamentando a morte de seu marido, o deus Osíris e agradeciam as benesses que se renovavam a cada ano com festas e comemorações.

Os celtas comemoravam a data em Stonehenge, o notável monumento de pedra de mais de seis mil anos. No solstício de verão, viam o sol nascer em determinado ponto do conjunto e agradeciam ao deus Sol as luzes que permitiam as colheitas. Danças e representações eram feitas em torno do colosso de pedra que, até hoje, impressiona quem o visita, na Inglaterra.

Na Suécia, as comemorações vivem intensamente até hoje. Moças se vestem com roupas floridas, decoram suas cabeças com ramos de folhas, espalham flores pelo chão e comem os morangos e as batatas, que estão especialmente deliciosos neste período do ano. Mantêm a tradição de fazer uma guirlanda de sete ou nove flores, que deve ser colocada sob o travesseiro, pois assim sonharão com o futuro marido. Nas cidades, ergue-se um grande mastro, que teria dado origem à nossa tradição de erigir uma estrutura para receber a figura do santo.

Os nativos americanos do norte tinham cerimônias seme­lhantes, de agradecimento ao Sol pelas colheitas e pedidos de afastamento de pragas que poderiam prejudicar as plantações.

Com a consolidação do cristianismo como religião do Oci­dente, a Igreja começa a cristianizar estas datas de festas pagãs, substituindo seus motivos pelo cultivo de valores cristãos. Assim, começa com o Natal, a festa magna da Cristandade e chega às festividades do solstício de verão.

Principalmente na Península Ibérica, onde a religião católica predomina, surgem as festas juninas em homenagem a Santo Antônio, São João e São Pedro, que se consolidam na Idade Média.

Com a descoberta e colonização do Brasil, estas tradições são para aqui trazidas ainda no século XVI e, misturadas com a cultura africana e indígena, produzem a celebração das festas juninas de hoje.

Se o turismo é o grande atrativo para as festas atuais, as co­memorações juninas são um patrimônio cultural brasileiro, que deve ser mantido e prestigiado.

Mais notícias

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
AllEscort