O número de ocorrências envolvendo escorpiões dispa­rou 499% em Ribeirão Preto no primeiro semestre de 2019 em comparação com o mesmo período de 2018. Entre 1º de janeiro e 30 de junho, foram registrados 611 acidentes na cidade, média mensal de 101 e de três por dias, contra 102 no total dos seis primeiros meses do ano passado, 509 a mais. A quantidade atual de casos é seis vezes superior.

Contando com a primei­ra quinzena de julho, já são 628 ataques de escorpião nes­te ano em Ribeirão Preto. O número representa 77,1% do total de 2018 inteiro, de 814 ocorrências, segundo dados divulgados pelo chefe da Divisão de Vigilância Epi­demiológica (DVE) da Se­cretaria Municipal da Saúde (SMS0, doutor Daniel Araú­jo, a pedido do Tribuna.

Neste ano, foram regis­trados 139 casos na área da Unidade Básica Distrital de Saúde (UBDS) do Adelino Si­mioni (Zona Norte), 114 na do Sumarezinho (Zona Oeste), 108 na região da Vila Virgínia (Zona Sul), 65 na do Castelo Branco (Zona Leste) e 52 na da UBDS Central. Outros 150 acidentes ainda não têm iden­tificação de distrito.

Entre janeiro e dezembro do ano passado, foram regis­trados 814 ataques na cidade, média mensal de quase 68, mais de dois por dia. A quan­tidade de casos foi cinco vezes superior aos 150 registrados em 2017, quando a média era de doze por mês, com 664 a mais e alta de 442,6%.

Em comparação com 2013, quando a Divisão de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) atendeu 143 pessoas, a alta chega a 469,2%, com 671 pi­cadas a mais. Neste foram 149 picadas em janeiro, 150 em fevereiro, 120 em março, 61 em abril, 63 em maio, 49 em junho e 17 em julho – até ontem, dia 16.

Segundo o Departamento de Vigilância em Saúde, nos últimos seis anos e meio, de 2013 até terça-feira, já foram registrados na cidade 2.370 ataques de escorpião, cerca de 30 por mês, mais de um por dia. Segundo a Divisão de Vigilância Epidemiológica, neste período houve apenas um óbito na cidade. O ano de 2014 terminou com o menor número de ocorrências: 127. A última morte por ataque de escorpião em Ribeirão Preto ocorreu em 1º de maio do ano passado, no Jardim Salgado Fi­lho, na Zona Norte.

Uma criança de oito anos foi ferida no pé pelo aracnídeo quando ajudava a tia a retirar o entulho de um terreno onde seria erguido um barraco. O menino João Victor Souza de Paula foi socorrido pela tia e levado à Unidade Básica Dis­trital de Saúde (UBDS Norte) do bairro Quintino Facci II, mas acabou transferido para a Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas de Ribei­rão Preto. Ele morreu depois de sofrer paradas cardíacas de­correntes da ação do veneno.

A Divisão de Vigilância Epidemiológica do Departa­mento de Vigilância em Saúde, chefiada pelo doutor Daniel Araújo, informa que em todo caso de acidente com animal peçonhento a vítima deve pro­curar a unidade de saúde mais próxima para avaliação médica e, caso seja necessário, o posto deverá encaminhar o paciente ao HC para avaliação da toxico­logia e necessidade de aplicação do soro antiescorpiônico, de acordo com a gravidade.

A população pode ajudar roçando o mato de os terrenos particulares e evitando o acú­mulo de lixo e entulho. A espé­cie mais comum nas cidades é a “Tityus serrulatus”, conhecida como “escorpião amarelo”. Tra­ta-se de um tipo urbano, fre­quentador de esgotos ou redes pluviais, e considerado o mais perigoso da América Latina.

“Sua picada é muito do­lorida, provoca náuseas, vô­mitos, sudorese, e o veneno pode matar crianças de até 12 anos e idosos após causar arritmia cardíaca e edema pulmonar”, diz o imunologis­ta Luiz Vicente Rizzo, presi­dente do conselho curador do Instituto Butantan.

Para não correr risco de morte, a pessoa tem de ser atendida em, no máximo, quatro horas. É preciso tomar soro contra o veneno e anal­gésico para aliviar a dor. De acordo com Lúcia Taveira, coordenadora do Controle de Vetores da Secretaria da Saú­de, a limpeza das residências é fundamental para evitar a proliferação do animal.

“Escorpião gosta de lugar quente e escuro, tanto na área interna como externa, e tem hábitos noturnos. Ele sai à noi­te para procurar alimento, ba­rata, grilo, cupim, animais vi­vos”, orienta a coordenadora. Explica ainda que o aracní­deo pode ficar até seis meses sem se alimentar, mas água é fundamental para sua sobre­vivência. Por isso, com o iní­cio das chuvas o alerta deve ser ainda maior.

“Ele procura ficar em lu­gares úmidos e, quando co­meçam as chuvas, aumenta muito a proliferação de es­corpiões e a incidência de acidentes escorpiônicos”, explica. Somente no mês de abril foram mais de 30 ocor­rências de pessoas que encon­traram escorpiões. Ela orienta que quando forem encontra­dos escorpiões, as pessoas não devem levar as mãos direta­mente nos objetos onde estão.

“A maior incidência de acidentes acontece nas mãos e nos pés, justamente porque vão com as mãos nesses obje­tos e acabam sendo picados. Ao calçar os sapatos é preci­so ter muito cuidado, verifi­car antes se não há escorpião alojado dentro, lugar quente, propício para eles”, orienta. Os escorpiões podem subir nas camas também.

De acordo com a Secreta­ria Municipal da Saúde, até novembro de 2018 as princi­pais vítimas eram os adultos com idade entre 20 e 49 anos, com 585 ocorrências, 39,9% do total e média de 18.1 pi­cadas para cada grupo de dez mil habitantes. Em seguida aparecem as pessoas com 50 a 79 anos, com 347 casos, 23,6% e 21.7 registros por dez mil habitantes.

Os idosos maiores de 80 anos e os bebês com menos de um ano são as faixas etá­rias com menor incidência. No primeiro grupo foram regis­trados 20 ataques desde 2013, ou 1,36% do total e 14.4 por dez mil habitantes. No segun­do foram 22 ocorrências, 1,5% dos 1.467 constatados em seis anos. No entanto, a incidên­cia é alta, de 27.7 por dez mil crianças. A maior taxa de inci­dência é de crianças entre um e quatro anos, com 44.9 por dez mil habitantes. São 144 casos, 9,8% do total.

O balanço dos ataques em RP
Ataques em 2013 – 143
Ataques em 2014 – 127
Ataques em 2015 – 267
Ataques em 2016 – 241
Ataques em 2017 – 150
Ataques em 2018 – 814
Ataques em 2019 – 628*
Total de ataques: 2.370
* Até 16 de julho
Fonte: Sinan Net da Divisão de Vigilância Epidemiológica

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