Auxílio pode reduzir perdas do comércio

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© Marcello Casal JrAgência Brasil

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomer­cioSP) segue acompanhando os desdobramentos que a pande­mia de covid-19 tem provocado na economia brasileira, princi­palmente nos setores de comér­cio e serviços.

A federação produziu uma estimativa inédita levando em conta os recursos que foram disponibilizados pelo governo federal, por meio do auxílio emergencial de R$ 600 (mães solteiras recebem R$ 1,2 mil) e a plenitude da retomada da atividade de operações até o mês de agosto.

De acordo com a entidade, a liberação desse benefício assis­tencial contribuiu para que não houvesse deterioração mais con­tundente da economia, não ape­nas sobre o comércio varejista, mas também sobre todos os elos que compõem a cadeia produti­va nacional, o que reflete sobre a renda e o desemprego no país.

Os recursos do auxílio emer­gencial devem ultrapassar os R$ 190 bilhões, alcançando mais de 63 milhões de pessoas. Esse montante corresponde a mais de seis anos do valor anual dis­tribuído pelo Bolsa Família, o que torna o programa um ins­trumento de grande impacto sobre consumo.

Conforme levantamento da FecomercioSP, R$ 151 bilhões tiveram como destino o consu­mo varejista. Assim, as estimati­vas de perdas para o fechamento de 2020, projetadas no início da quarentena, foram reduzidas de -13,8%, para -6,7%.

São Paulo
No Estado de São Pau­lo, o recuo deve ser de 5,47% no ano. Caso não houvesse o direcionamento para o con­sumo de R$ 18,58 bilhões do auxílio emergencial, poderia atingir -8%, com perda de re­ceita de R$ 60 bilhões para o comércio em 2020.

Brasil
Mesmo atenuado, o prejuí­zo deve chegar a R$ 141 bilhões em relação ao faturamento de 2019, no varejo nacional. Des­se montante, mais de R$ 102 bilhões foram registrados no auge do cenário de restrições das operações varejistas, cor­respondente ao período entre março e agosto de 2020.

Das noves atividades pes­quisadas do varejo, sete tendem a finalizar o ano com baixa nas vendas, com destaque para lo­jas de vestuário, tecidos e cal­çados (-25,2%) e materiais de construção (-17,6%). Por outro lado, os segmentos de super­mercados (5,4%) e farmácias e perfumarias (2,8%) devem a fechar com faturamento maior do que o de 2019, uma vez que a população está focada apenas nas compras de itens essenciais.

As perdas do comércio va­rejista paulista podem atingir R$ 41 bilhões no fechamento de 2020 – queda de 5,4% na comparação com 2019. Das noves atividades pesquisadas do varejo, sete tendem a encer­rar o ano com baixa nas ven­das, com destaque para conces­sionárias de veículos (-21,6%) e lojas de vestuário, tecidos e cal­çados (-19,5%).

Em contrapartida, os seg­mentos de farmácias e perfuma­rias (3,9%) e de supermercados (3,14%) devem terminar 2020 com faturamento maior do que o de 2019. Ainda segundo esti­mativas da federação, 202 mil empresas devem encerrar de­finitivamente as atividades em 2020 no Brasil
Segundo o estudo, 197 mil são de pequeno porte, que em­pregam até 19 funcionários. Por consequência, estão previstos 980 mil desligamentos no seg­mento do comércio varejista brasileiro neste ano, dos quais 590 mil devem ocorrer nos pe­quenos negócios.

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