JCOMP/FREEPIK

De acordo com informações da Câma­ra de Comércio Exterior (Camex), liga­da ao Ministério da Economia, a Chi­na é o país que Ribeirão Preto mais importou produtos em 2020. Algo em torno de 41 milhões de dólares. Por outro lado, é para os Estados Unidos que a cidade mais vendeu no mesmo período, perto de 28 milhões de dólares. Em se tratan­do de Mercosul, a Argentina (em sétimo no geral na importação e segundo em exportação) é o parceiro comercial mais atuante com a cidade.

Em 2019, os chineses ocupavam a segunda posição do ranking da Camex, com 36,8 milhões de dólares em importação. Os EUA eram os que importavam mais para a cidade: 62,5 milhões de dólares. Quando se faz um apanhado de 2017 a 2020, os dois países praticamente se igualam: China 159 milhões de dólares e EUA 162 milhões de dólares.

Já no ranking de exportação, os Estados Unidos se mantêm em primeiro desde 2017. Argentina e Chile aparecem em segundo e terceiro, respectivamente (ver quadros nesta página).

Cristiane Fais: mesmo apesar dos efeitos danosos da pan­demia para a economia como um todo, Ribeirão fechou o ano com superávit

Segundo a diretora da ACCROM, consultora e especialista em logís­tica internacional, Cristiane Fais, a análise do resultado da balança comercial de 2019/2020 é favorá­vel. “Temos uma variação muito positiva [mais exportação do que importação], onde Ribeirão Pre­to, mesmo apesar dos efeitos da­nosos da pandemia para a econo­mia como um todo, fechou o ano com superávit de mais de R$ 150 milhões [R$ 153 milhões, de acordo com estudos da ACIRP]”.

Segundo, Thayná Rais, núme­ros foram possíveis pelo fato do real ter se desvalorizado em relação ao dólar

Thayná Rais, assessora de comércio ex­terior da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (ACIRP) explica que o pon­to positivo para exportação, foi o fato de o real ter se desvalorizado em relação ao dólar. “Consequentemente os produtos brasileiros se tornaram mais baratos no mercado externo e foram mais competitivos em relação a outros países concorrentes”, diz.

Para o especialista em relações inter­nacionais, Nilo Scandaroli, se compa­rados os dados de comércio exterior de Ribeirão Preto com outros mu­nicípios, pode-se notar que o flu­xograma é relativamente baixo e com setores muito específicos. “O que nos leva a compreender que existem poucas empresas que o fazem [comércio exterior] mes­mo com os benefícios já aponta­dos em diversas fontes”, avalia.

Nilo Scandaroli avalia que existem poucas empresas que realizam comércio exterior, mesmo com os benefícios já apontados

Segundo Nilo, os números da Camex podem ser bons, porém re­presentam uma parcela minúscula da capacidade internacional das empresas do município. “Faço duas perguntas as quais bus­camos responder a todo instante: Por que as empresas que não operam o internacional ain­da não o fazem? E o que podemos fazer para que iniciem? As respostas dessas perguntas irão direcionar o desenvolvimento exponen­cial da cidade em todas as esferas”, finaliza.

 

A falta de um aeroporto internacional de cargas
O assunto em torno da internacionaliza­ção do aeroporto de Ribeirão Preto vem se arrastando há anos. No papel, o ae­roporto é internacional desde 2001, mas para operar como aeroporto internacional de cargas é necessário que sejam feitas diversas adequações.

“Não há dúvidas de que a operação de cargas através do aeroporto é base fundamental para o desenvolvimento econômico regional, mas o planeja­mento é essencial para que seja uma fonte de receita e não prejuízo. É preci­so ainda, observar se os benefícios da internacionalização trarão consequên­cias seguras levando em consideração os efeitos da pandemia”, explica Thayná Rais, assessora de comércio exterior da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (ACIRP).

Rais ressalta que para o agronegócio, uma das principais atividades econô­micas da região, inclusive no comércio exterior, “a internacionalização do aeroporto facilitaria receber clientes de outros países, exportação e importação de cargas, além de potencializar o turis­mo de negócios, facilitando o trânsito de autoridades internacionais e cientistas. Interessante também para produtos de alto valor agregado, componentes e acessórios de alta tecnologia”.

O especialista em relações interna­cionais, Nilo Scandaroli salienta que atualmente existem poucos aeroportos internacionais que realizam o frete de mercadorias para outros países. “Isso significa que, se minha empresa irá exportar pelo modal aéreo eu necessa­riamente precisarei entrar na fila dos grandes aeroportos para que minha carga seja embarcada. Isso significa que, quanto maior a demanda, maior o tempo de operação… E em Comércio Exterior, tempo é dinheiro. Isso facilita inclusive para quem está mais perto de tais aero­portos, possibilitando maior velocidade a eles também. Tudo isso através da descentralização”.

Scandaroli aponta outro ponto positivo do aeroporto internacional: o capital circulante que ampliaria na cidade. “Fora os demais benefícios como geração de empregos, ampliação da visibilidade internacional da cidade, possibilidade de escoamento de toda a demanda da região de maneira mais veloz, dentre outros”, conclui.

Principais produtos exportados em 2020:
– Metais comuns e suas obras – 32%
– Máquinas e equipamentos – 24%
– Produtos das indústrias alimentares – 12%
– Produtos do reino vegetal (commodities) – 11%

Principais produtos importados em 2020:
– Máquinas e equipamentos – 25%
– Plásticos e suas obras (Resinas, borracha…) – 19%
– Instrumentos e aparelhos de ótica, fotografia… – 16%
– Produtos da indústria química (fertilizantes, adubos…) – 16%