© Marcello Casal JrAgência Brasil

A Polícia Federal (PF) de­flagrou nesta quinta-feira, 29 de abril, uma operação para investigar fraudes na obtenção de auxílio emergencial em Ri­beirão Preto. Batizada de “Sor­rateiros”, a ação cumpriu onze mandados de busca e apreen­são expedidos pela 4ª Vara Fe­deral em Ribeirão Preto, Ser­tãozinho e Dumont.

As ações da quadrilha te­riam causado um prejuízo de pelo menos R$ 220 mil a famílias beneficiárias do pro­grama da União. De acordo com a PF, as fraudes consis­tiam na obtenção clandesti­na de dados pessoais de 201 potenciais beneficiários e sua inserção no aplicativo “Caixa Tem” para, então, receber os valores. O grupo criminoso também realizou compras com o uso de QR Code em ONZE estabelecimentos co­merciais físicos e online.

Ainda segundo a PF, foram identificadas 183 contas de au­xílio emergencial fraudadas. Os investigados poderão responder por crime de estelionato ma­jorado e associação criminosa, cujas penas, somadas, podem chegar até dez anos de reclusão.

Operação policial
Os trabalhos realizados são resultantes de uma união de esforços denominada Es­tratégia Integrada de Atuação contra as Fraudes ao Auxílio Emergencial (Eiafae), da qual participam a Polícia Federal, Ministério Público Federal, Ministério da Cidadania, Cai­xa Econômica Federal, Receita Federal, Controladoria Geral da União e Tribunal de Contas da União.

Os escopos da atuação conjunta são a identificação de fraudes massivas e a desar­ticulação de organizações cri­minosas, com a identificação de seus integrantes e recupe­rar os valores para o erário. Somadas a essa ação, já fo­ram registradas 70 operações policiais visando o combate às fraudes, com a realização de mais de duas centenas de Mandados de Busca e mais de 30 indivíduos presos.

Documentos, máquinas de pagamento e cartões de crédito foram apreendidos durante a manhã, e suspeitos foram levados a prestar de­poimento na delegacia da PF, mas ninguém foi preso. Os investigados devem respon­der por estelionato majora­do – ou seja, golpe praticado contra entidade de direito público, instituto de econo­mia popular, de assistência social ou beneficência – e as­sociação criminosa.

Segundo o delegado Ale­xandre Manoel Gonçalves, o dinheiro obtido ilegalmente não era sacado diretamente do caixa pelos golpistas, mas sim transferido das carteiras digi­tais para contas de empresas de fachada ou usado em compras simuladas.

Além dos beneficiários diretos das fraudes, ele inves­tiga o envolvimento das em­presas no esquema. “A gente está tentando identificar o destino do dinheiro para sa­ber justamente quem são os principais responsáveis por essas fraudes”, diz.