Barretos também vai testar vacina

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GOVERNO DE SÃO PAULO

O governador João Doria (PSDB) anunciou nesta sexta­-feira, 25 de setembro, a am­pliação da testagem da vacina CoronaVac para mais quatro centros de pesquisa em Barre­tos (SP), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT) e Pelotas (RS). Com isso, a quantidade de vo­luntários do estudo coordena­do pelo Instituto Butantan será ampliada de nove mil para 13 mil voluntários.

O Instituto Butantan rece­beu a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a inclusão de mais voluntários na terceira e última fase de estudos clínicos que estão testando a Coronavac no Brasil. A ampliação também foi apro­vada pelo Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

Desta forma, os ensaios clí­nicos passam a acontecer em 16 centros espalhados em sete estados brasileiros e no Distri­to Federal. Na região, além de Barretos, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFMRP/USP) participa dos testes da nova va­cina. O HC iniciou os testes da nova vacina contra o coronaví­rus em 30 de julho. Foram se­lecionados 500 voluntários para receber a vacina.

A CoronaVac apresentou se­gurança e eficácia na fase 3 dos testes com 50 mil voluntários na China. O Estado prevê ter 60 milhões de doses do produto até fevereiro de 2021. As primeiras cinco milhões devem chegar em outubro e, até o fim do ano, a ex­pectativa é ter 46 milhões.

A previsão é de que sejam necessárias duas doses do pro­duto para garantir a proteção. Do total de voluntários, 94,7% não tiveram nenhuma reação adversa. Outros 5,36% senti­ram efeitos adversos, todos de baixa gravidade, como dor no local da aplicação (3,08%), fe­bre moderada (0,21%) e fadi­ga e perda de apetite (1,53%). Começaram na China os testes em crianças e idosos.

Entre as pessoas com mais de 60 anos, a vacina foi aplicada em 422 voluntários e os resulta­dos apontaram 97% de eficácia. Os estudos em crianças têm 552 voluntários de 3 a 17 anos. No total, foram aplicadas 67.260 doses da CoronaVac em 50.027 pessoas, ação que foi autorizada pelo governo chinês para alguns grupos, como pacientes de risco e funcionários da Sinovac.

O acordo firmado com a Sinovac Life Science permite a transferência de tecnologia ao Butantã, que poderá também produzir a vacina e distribuir o imunizante gratuitamente o ao Sistema Único de Saúde (SUS). Os passos seguintes se­rão o registro do imunizante pela Anvisa e fornecimento em todo o Brasil.

Os estudos clínicos estão sendo realizados no Brasil des­de 21 de julho e já aplicaram a vacina em quase seis mil volun­tários, sem nenhum registro de reação adversa grave. Até o fi­nal de setembro, todos terão to­mado as duas doses. No fim de agosto, o governo paulista tam­bém pediu pelo menos R$ 1,9 bilhão do Ministério da Saúde para ampliar a previsão de en­trega da vacina CoronaVac no próximo ano, de 60 milhões para 120 milhões de doses.

Doria disse que o governo federal prometeu liberar o pri­meiro lote de R$ 80 milhões para apoiar o processo de pro­dução. Especialistas têm apon­tado que, além da comprova­ção da eficácia e da segurança da vacina, a imunização em massa também terá desafios logísticos, como estratégias de distribuição e aplicação do produto. A Organização Mun­dial da Saúde (OMS) já disse não prever imunização em massa antes de 2022.

Perfil dos voluntários
O perfil dos voluntários que poderão se candidatar ao estu­do permanece praticamente o mesmo. Profissionais da saúde que estejam trabalhando no atendimento a pacientes com covid-19. A diferença é que agora não será feita triagem para verificação de infecção prévia pelo coronavírus.

Até então, os estudos não permitiam a participação de voluntários com mais de 60 anos. Agora, este grupo de pessoas pode se candidatar. Já as mulheres não podem estar grávidas ou estarem planejan­do uma gravidez nos próximos três meses. Importante lembrar que outra restrição é não apre­sentar doenças instáveis ou que precisem de medicações que alterem a resposta imune.

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