ALAN SANTOS/ PR

Jair Bolsonaro reduziu o tom em relação ao Partido Social Liberal (PSL) no início da noite desta quarta-feira, 9 de outubro. Após agravar a celeuma com a cúpula do partido ao dizer a um simpatizante para que esquecesse da sigla, o presi­dente disse que “por enquanto, está tudo bem” e que não há crise com a legenda pelo qual ele se elegeu no ano passado.

“Por enquanto, tudo bem. Não tem crise. Briga de marido e mulher, de vez em quando acontece. … Não tem crise, não tem o que alimentar. Não tem confusão nenhuma”, disse ao deixar o Palácio do Planalto. Logo em seguida, o porta-voz da Presidência da República, general Otávio Rêgo Barros, afirmou que o presidente “não pretende deixar o PSL de livre e espontânea vontade”. “Qualquer decisão desse partido seria unilateral”, disse.

Rêgo Barros também disse que o presidente quer que o PSL seja “um diferencial na política” e que tenha “firmeza na defesa das bandeiras de campanha”. “O que ele deseja do partido é que ele seja uma referência nacional no âmbito da política nacional”, disse.

Bolsonaro afirmou ainda que a insatisfação de uma parte da banca­da com a direção do PSL, principalmente com o presidente da sigla, deputado Luciano Bivar (PE), não é um problema seu. “O pessoal quer um partido diferente, atuante. Este partido está estagnado”, afirmou. O presidente ainda afirmou que a sua declaração a um apoiador que se apresentou como pré-candidato pelo PSL no Recife para que esque­cesse a legenda foi um alerta de que a fala do rapaz poderia configurar campanha eleitoral antecipada.

“Falei para o garoto: ‘Esquece o PSL’. Por que? Ele é pré-candidato a ve­reador, se começar a falar em partido é campanha antecipada, isso que eu falei para ele”, explicou. Ao abordar Bolsonaro na porta do Palácio da Alvorada na terça-feira (8), o rapaz gravou um vídeo ao lado do presi­dente dizendo: “eu, Bolsonaro e Bivar, juntos por um novo Recife”.

Bolsonaro, então, pediu para que ele não divulgasse a gravação. “Oh, cara, não divulga isso não. O cara (Bivar) está queimado para caramba lá. Vai queimar o meu filme também. Esquece esse cara, esquece o partido”, disse. Nesta quarta-feira, Bivar disse considerar que Bolsonaro já decidiu pela saída do partido. “Quando ele diz a um estranho para esquecer o PSL, mostra que ele mesmo já esqueceu. Mostra que ele não tem mais nenhuma relação com o PSL”, afirma.

“Ontem (terça-feira, dia 8) mesmo, eu recebi um convite para ir a uma cerimônia no Palácio do Planalto e tinha um jantar marcado com o ministro da Justiça, Sérgio Moro. Então, não vi indicativo nenhum”, comentou. Um fator apontado pelo presidente do PSL para justificar o ataque de Bolsonaro à legenda seria um cálculo político do presidente para garantir a sua reeleição.

“Ninguém é eleito presidente sem ter acertos. Como ele vem em um processo de reeleição, talvez ele saiba qual é o melhor caminho a ser seguido. Espero que ele tenha sucesso”, disse. A saída de Bolsonaro pode provocar uma debandada no PSL. Dirigentes do partido afirmam que o presi­dente pode levar consigo até 15 dos 53 deputados federais, além de dois dos três senadores – Flávio Bolsonaro (RJ) e Soraya Thronicke (MS).

Bivar, no entanto, afirma não se preocupar com um eventual esvazia­mento da legenda. “Redução ou aumento da bancada não representa nada, o importante é manter a nossa linha de conduta e dignidade”, afirmou. A União Democrática Nacional (UDN) já pediu registro como partido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e quer que o presidente se filie à sigla.

Comentários