Cerca de 150 simpatizantes recepcionaram o deputado fede­ral Jair Messias Bolsonaro (PSC­-RJ) na manhã desta quinta-feira, 17 de agosto, no Aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão Preto. O de­putado cumpre uma agenda na região até a tarde desta sexta-feira, dia 18 – embarca para o Rio de Ja­neiro entre 12h10 e 14h30, depois de mais uma bateria de entrevistas. Ao desembarcar em solo ribeirão­-pretano, o capitão da reserva do Exército e provável pré-candidato à Presidência da República em 2018 não perdeu a oportunidade de fazer graça com eleitores.

Ele empunhou uma bandeira do Brasil , distribuiu sorrisos e dis­se: “Sou capitão do Exército e um soldado a serviço de todos vocês.” À tarde, no Centro, depois de to­mar um café na Única, na esquina da Álvares Cabral com São Sebas­tião, o deputado federal se deparou com manifestantes que criticavam sua postura política. Uma mulher atirou um ovo no presidenciável, enquanto bradava frases contrárias ao parlamentar. “Você não é bem aceito”, gritou. Ele esteve na Cen­tral de Flagrantes e registrou um boletim de ocorrência .

Ao Tribuna, disse que, orien­tado por um advogado, decidiu registrar o BO para não ser acu­sado de ter atacado a mulher an­tes. “Ela chegou e perguntou se eu era o Bolsonaro, disse que sim e ela quebrou um ovo no meu peito. A polícia evitou que ela e os amigos fossem agredidos. Tudo bem, tem outro partido, candi­dato, eu respeito. Minha agenda segue normal em Ribeirão, onde fui recebido sob aplausos”.

Alana Gabrielle Van Pelt, a moça que deu a ovada em Bol­sonaro, tem versão diferente – no ano passado, ela furou o boneco “Pixuleco”, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vestido de presidiário, com uma faca de co­zinha durante protesto na cidade. Conduzida à delegacia para pres­tar esclarecimentos, ela disse que trabalha com um grupo que pro­move discussões sobre machis­mo e homofobia e foi questionar o deputado sobre esses temas. Ela alega ter sido agredida por assessores do deputado.

“Me agrediram seguraram meu braço, puxaram meu cabe­lo, me jogaram no chão… Depois chegaram policiais e duas viaturas”, diz a jovem. Ela afirma que os ovos foram comprados nas imediações. Alana Gabrielle prestou depoi­mento, registrou um BO contra Bolsonaro por agressão e foi libera­da. Já o deputado lavrou boletim de ocorrência por injúria e agressão. Manifestantes contrários e apoia­dores do deputado ainda trocaram ofensas na Única e depois na dele­gacia. O vídeo da ovada pode ser visto no site do Tribuna Ribeirão (www.tribunaribeirao.com.br).

Bolsonaro revelou que vai se filiar ao Partido Ecológico Nacio­nal (PEN), com sede em Barrinha e que terá o nome alterado para Patriotas, provavelmente na sema­na que vem. O evento de filiação estava agendado para amanhã, no estacionamento da Câmara, mas foi adiado. Na noite desta quinta­-feira, ele e o presidente nacional do PEN, o vereador barrinhense Adilson Barroso, reuniram cente­nas de correligionários no Centro de Convenções da rua Bernardi­no de Campos, na região central da cidade. Durante a tarde, além da visita à cafeteria e ao calçadão, o deputado fez palestra em um ho­tel e concedeu entrevistas a emis­soras de rádio e TV.

“Desde dezembro estamos tratando do assunto, e vi que ele realmente é o cara que o PEN so­nhava”, afirma Barroso. Ele garan­te que o anúncio oficial da filiação de Bolsonaro ao partido ocorrerá na próxima semana, no Rio de Janeiro, base do deputado federal. “Foi Bolsonaro que procurou o partido. Ele queria um lugar que não tivesse participação com cor­rupção. Nós somos um partido novo e ‘não tem como o menino já nascer adulto’”, diz o vereador, em referência ao fato de o PEN ainda não ter políticos investiga­dos por casos de corrupção.

Mesmo com a oficialização da conversa entre Bolsonaro e PEN, nos bastidores a informação é que o deputado deve mesmo disputar a eleição pelo Muda Brasil (MB), partido que está sendo formado por dissidentes do PR. A tendên­cia é que a legenda seja homologa­da com prazo para disputar o plei­to de 2018. Anunciando a possível filiação ao PEN, Bolsonaro estaria ganhando divulgação. Há dois meses, ele chegou a falar sobre a filiação no PSDC, mas a conversa não foi para frente.

Segundo pesquisa do insti­tuto Datafolha, divulgada em 26 de junho, Bolsonaro tem entre 15% e 16% da intenção de votos na maioria dos cenários apre­sentados e aparece sempre em segundo ou terceiro lugar, atrás de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Marina Silva (Rede), mas à frente de nomes como Geraldo Alckmin (PSDB), João Dória (PSDB), Ciro Gomes (PDT), Luciana genro (Psol), Fernando Haddah (PT) e Joaquim Bar­bosa (ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, sem partido).

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