Brasil gasta 132 bilhões por ano com acidentes de transporte

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ALFREDO RISK

O país perdeu 479.857 vidas no trânsito entre 2007 e 2018. O custo desses aci­dentes chegou a R$ 1,584 trilhão, segundo o estudo Impactos Socioeconômicos dos acidentes de transporte no Brasil, divulgado nesta terça-feira (22) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Apli­cada (Ipea).

A análise, feita em parce­ria com a Comissão Econô­mica para a América Latina e Caribe (Cepal), utiliza dados de mortalidade do Datasus, do Ministério da Saúde – que inclui internações e reembol­so de gastos – e aplica o Valor Estatístico da Vida (VEV), es­timado em R$ 2,26 milhões a valores de dezembro de 2018.

A pesquisa contabiliza pe­destres, motociclistas, aci­dentados em automóveis, ciclistas, e ainda meios de transporte aquaviários, ferro­viários e aéreos. A avaliação considera uma série de fatores, como quantidade de indeni­zações pagas por morte e por categoria de veículos. A maior parte das vítimas é de jovens de 18 a 34 anos, mas também foram constatados dados bas­tante elevados de acidentes com idosos, principalmente devido à reduzida capacidade em atravessar a rua com se­gurança, por exemplo.

O número de mortes de crianças caiu com a obrigato­riedade do uso de cadeirinhas infantis, a partir de 2008. Por outro lado, os acidentes fatais associados às motocicletas ultrapassaram os óbitos dos automóveis a partir de 2009, quando as vendas de motos subiram consideravelmente – menores preços, isenções tri­butárias, gastos em combus­tíveis e manutenção fizeram da motocicleta uma opção de transporte de baixo custo para famílias de baixa renda.

O estudo analisa custos sociais e financeiros dos aci­dentes e apresenta propostas de políticas de transporte em nível federal, estadual e municipal. Os pesquisadores sugerem, por exemplo, privi­legiar os vulneráveis (pedes­tres, ciclistas e motociclistas) no traçado de vias, em vez de veículos. Outra proposição é rever a regulamentação de equipamentos de seguran­ça individual dos diversos meios de transporte.

Entre os problemas iden­tificados está também a profusão de regras federais, estaduais e municipais – as exceções são os setores aé­reo e aquaviário, que seguem regulamentações internacio­nais. Os pesquisadores re­comendam a adoção de um modelo único de registro das ocorrências e posterior in­vestigação dos peritos, para evitar novos acidentes. De acordo com o estudo, novas diretrizes para as políticas de transporte também impacta­riam os sistemas de saúde e previdenciário brasileiros.

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