Valter Campanato/Agência Brasil

Alvo de uma investigação de caixa dois pela Procurado­ria-Geral da República (PGR), o futuro ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, pediu trégua à imprensa, se irritou com perguntas dos jornalistas e abandonou uma entrevista coletiva após participar de um almoço com empresários do Lide (Grupo de Líderes Empre­sariais) nessa sexta-feira, 7, na capital paulista.

O coordenador da transição irritou-se com uma pergunta sobre o relatório do Conselho de Controle de Atividades Fi­nanceiras (Coaf) que mostra movimentações financeiras suspeitas de um ex-motorista do senador eleito Flávio Bol­sonaro (PSL-RJ), filho do pre­sidente eleito. Mais cedo nesta sexta-feira, o futuro ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro evitou comentar o relatório da Coaf, que ficará subordinado à sua Pasta

A “trégua” de Onyx foi pedida no fim do discurso. “Quero pedir para a imprensa que nos acompanha, por favor, uma trégua, em nome do Bra­sil”, disse Onyx. Os empresários aplaudiram a fala. Na entrevis­ta coletiva após o almoço, o futuro chefe da Casa Civil foi questionado por jornalistas so­bre qual como seria a trégua.

“Algumas áreas da imprensa brasileira abriram francamente um terceiro turno. Temos nos­sas limitações, nossas dificul­dades. Vamos fazer um grande pacto. Não ganhamos carta em branco. Sabemos que temos oposição. Temos tido todo res­peito do ponto de vista do futu­ro do nosso País. A partir do dia 1° de janeiro, quando o governo assumir e tiver diretriz, aí sim, se estiver errado, critica”.

Em seguida, Onyx foi per­guntado sobre o inquérito aber­to a pedido da PGR para investi­gar o suposto uso de caixa 2 em suas campanhas.

“Se tem um cara que é tran­quilo sou eu. Vim com Deus. Agora com investigação autô­noma, vou poder esclarecer. Nunca tive corrupção. Não pode ser hipócrita de querer misturar financiamento e não registro de recebimento de amigo. Esse erro eu cometi. Sou o único que tenho a cora­gem de assumir”, afirmou

O futuro ministro disse que “subscreve” a declaração do presidente eleito, Jair Bolsona­ro, de que usaria sua caneta Bic para exonerar um ministro que fosse alvo de uma “denúncia robusta”. “Gosto tanto da cane­ta Bic que subscrevo a declara­ção dele”, disse.

Onyx se esquivou da per­gunta afirmando que “setores tentam destruir a reputação de [Jair] Bolsonaro” e chegou a atacar o Coaf questionando onde o conselho estava duran­te os processos do mensalão e do petróleo. “Foi feita uma aliança ideológica que faz com que vocês [jornalistas] queiram misturar um governo honesto com as lambanças do PT dos últimos 14 anos”, disse.

Em seguida, diante da insis­tência dos jornalistas em pedir uma declaração sobre o caso do filho de Bolsonaro, Onyx perguntou a um dos repórte­res quanto havia caído na sua conta neste mês, logo antes de abandonar a coletiva.