VALTER CAMPANATO/AG.BR.

O governo federal anun­ciou na terça-feira, 20 de agos­to, em evento no Palácio do Planalto, o lançamento de uma nova linha de financiamento habitacional na Caixa Econô­mica Federal (CEF) que vai operar contratos habitacionais corrigidos pela inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Am­plo (IPCA), mais uma taxa fixa.

O presidente da CEF, Pedro Guimarães, havia adiantado a medida na semana passada, sem detalhes. Na tarde de ter­ça-feira, no Planalto, ele expli­cou que a nova linha, baseada no IPCA, trará taxas reduzidas e utilizará o indexador do Ins­tituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no lugar da Taxa Referencial (TR), definida pelo Banco Central e conside­rada por Guimarães de baixa previsibilidade.

A nova linha traz uma taxa de 4,95% do valor financia­do mais correção do IPCA. A porcentagem pode chegar a 2,95% do valor financiado para quem tem as melhores relações com o banco (ter conta no banco e apresentar baixo risco de inadimplência, por exemplo). Os valores se­rão corrigidos mensalmente, prestação a prestação, confor­me o IPCA mais recente.

Já a linha de financiamento praticada atualmente traz uma correção de TR mais 9,75% do valor financiado. Essa por­centagem pode cair até 8,5%, sendo 8,5% para clientes com boas relações com o banco. Guimarães disse que o valor da prestação do financiamento imobiliário poderá ser redu­zido até pela metade. “O que representa isso? Um imóvel de R$ 300 mil, que hoje você co­meça pagando R$ 3 mil, você baixará, com 4,95% de taxa, de R$ 3.168 para R$ 2 mil. Se você chegar a uma taxa de 2,95%, você chega a uma redução de 51% na prestação”.

Caso o cliente não queira financiar com base no IPCA, temendo um aumento muito grande na inflação no futuro, ele poderá optar pela linha já usada. “Se o cliente tiver esse receio, ele pode continuar com TR. Exatamente por cau­sa disso, um componente do IPCA mais volátil, que a gen­te reduziu tanto, para 4,95%”, disse o presidente da Caixa Econômica Federal.

O presidente Jair Bolsona­ro participou do evento e disse que a medida é um ganho para a sociedade como um todo, tanto para quem vai comprar, quanto para os setores imobi­liário e da construção. “Isso é muito bem-vindo. E a socie­dade toda ganha, todo mundo ganha. Vamos, na medida do possível, dando sinais que que­remos fazer um Brasil melhor para todos”. Para o presidente da Câmara Brasileira da In­dústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, a medida deverá favorecer o mercado.

“A transferência do inde­xador da prestação do crédito imobiliário – da TR [Taxa Re­ferencial], que não tem a con­fiança dos investidores, para o Índice de Preços [IPCA] – deve favorecer o mercado. […] A atualização por Índice de Preços estimula o apetite para esses agentes [financeiros] comprarem os papéis”, disse Martins, em nota.

Para Martins, a medida estimulará a concorrência, trará dinheiro novo e abrirá caminho para que os custos para o crédito imobiliário di­minuam. “O consumidor final vai poder pagar menos em prestações, pois a economia brasileira vai ter um mercado real em vez de um ‘mercado de apostas’”, disse.

Comentários