ALFREDO RISK/ ARQUIVO TRIBUNA

Está na pauta da sessão da Câmara de Vereadores desta quinta-feira, 18 de abril, o proje­to da prefeitura de Ribeirão Pre­to que determina a devolução da área onde estão instaladas a antiga sede e quadra do Grêmio Recreativo e Escola de Samba Bambas, uma das mais antigas agremiações do país. O terreno fica na avenida Capitão Salomão nº 96, na divisa dos Campos Elí­seos com o Ipiranga, na Zona Norte. A proposta deu entrada na Casa de Leis em 9 de abril e só não será votada se a Comis­são de Constituição, Justiça e Re­dação (CCJ) não emitir parecer.

Em sua justificativa, a admi­nistração municipal argumenta que o espaço cedido em maio de 2005 não está sendo utiliza­do como previsto na lei. Afirma também que uma vistoria, reali­zada em dezembro de 2018 pela prefeitura, constatou que a área está trancada, abandonada e que não foi possível localizar nenhum diretor da agremia­ção para fazer a notificação sobre a proposta de devolução. Segundo Adria Maria Bezerra Ferreira, uma das mais antigas integrantes da agremiação, a escola não foi notificada desta intenção da prefeitura.

Ela contesta a dificuldade ale­gada pela administração para lo­calizá-los e afirma que tomará as medidas cabíveis para evitar a re­tomada. “Desde o começo do ano temos conversado com a Câmara, inclusive com o vereador André Trindade (DEM), líder do gover­no, para regularizar a situação da escola”, afirma. Por telefone, o par­lamentar confirmou a informa­ção e disse que irá trabalhar para verificar o que pode se feito. “Os Bambas fazem parte da história cultural da cidade e estão dispos­tos a retomar as suas atividades culturais”, afirmou.

Os problemas da escola
Em 2015, a quadra da esco­la foi fechada por falta de alvará, pois não tinha o Auto de Vis­toria do Corpo de Bombeiros (AVCB). A interdição teve como fundamentação a falta de segu­rança para os frequentadores. Na época, a diretoria, presidida pelo carnavalesco João Bento da Silva, o popular “Seu Santos”, tentou reverter a decisão, mas, segundo a diretoria, não conseguiu por problemas relacionados à do­cumentação da área na própria prefeitura, como a ausência da chamada “planta baixa” do local.

Como os seguranças que tomavam conta do local foram retirados por determinação legal pois haveria risco de incêndio, a sede da agremiação acabou sen­do destruída por vândalos que roubaram portas, janelas e outros equipamentos. Na época, somen­te as fantasias e outros materiais utilizados nos desfiles foram sal­vos, pois já haviam sidos retirados anteriormente. Atualmente estão guardados na residência de uma das diretoras dos Bambas. “Seu Santos” faleceu em 2016 e segun­do membros da escola, muito triste pelo fim dos desfiles de rua na cidade e por ver a sede da agre­miação destruída.

Na presidência da agremiação desde a morte do carnavalesco, Maria da Apresentação Ferreira decidiu priorizar a solução dos problemas administrativos e ju­rídicos da escola e investir em capacitação profissional sobre o assunto. Para isso, voltou para os Bambas, fez curso de captação de recursos financeiros e atualmente cursa “Evento” na Escola Técnica José Martimiano da Silva.

Em recente entrevista ao Tri­buna, ela explicou que decidiu conhecer como funciona todo este processo para viabilizar o retorno da escola de forma pla­nejada e continuada. Ou seja, não ficar dependente do poder público ou de ações que não resultam em recursos suficien­tes para custear as atividades. “Como precisamos recuperar nossa quadra e viabilizar ativida­des comunitárias e culturais per­manentes, estamos investindo em capacitação”, afirmou.

Criada em março de 1927 como um cordão carnavalesco, com a Sociedade Recreativa Dan­çante, Bambas transformou-se oficialmente em escola de samba em 1931. Segundo registros his­tóricos é uma das primeiras agre­miações carnavalescas do país.

Projeto prevê retomada
Em 8 de março, o prefeito Duarte Nogueira Júnior (PSDB) sancionou lei de autoria do ve­reador Jorge Parada (PT) que obriga as entidades beneficiadas com a cessão de áreas munici­pais, por meio de direito real de uso, a comprovar, anualmente, quais as condições do terreno e se os projetos que motivaram a doação estão sendo executados.

Segundo o parlamentar, a medida é necessária por causa da constatação de que várias áreas doadas estão abandonadas. Se­gundo levantamento feito pelo Tribuna junto à administração municipal e com a Câmara de Ve­readores, em menos de dois meses foram protocolados no Legisla­tivo, pelo Executivo, 39 projetos pedindo a devolução dos imóveis cedidos em comodato. Deste total, 23 já foram aprovados e viraram lei – 59% do total.

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