Em “História das Índias”, do eclesiástico e historiador espanhol Francisco López de Góma­ra, o autor, ao tratar o descobrimento da América, por Colombo, afirma que “A melhor coisa, depois da criação do mundo, tirando a Encarnação e a Morte daquele que o criou, foi o des­cobrimento das índias”. Sucesso de público, a obra, traduzida para o italiano, francês e inglês, foi impressa em Roma, Veneza, Paris e Londres, com suas reedições fora da Espanha tendo sido realizadas de 1556 a 1605. Mas, como Gômara, sem viajar para o continente Americano, conseguiu tais informações? Tomando nota de todas as notícias que chegaram à Europa, aju­dando-se com a escassa cartografia dos territórios conquistados. As suas fontes? Manuscritos e escritos de frei Toribio de Benavente “Motolinia”, Gonzalo Fernández de Oviedo y Valdés, Pedro de Alvarado, Andrés de Tapia e as entrevistas que teve com Hernán Cortés.

Marinheiro genovês experiente, Colombo tinha por teoria a chegada às Índias pelo oeste. Entretanto, incompreendido por todos, foi com desalento, e quase desistindo de tal empreen­dimento, que o futuro Almirante chegou à corte da rainha Isabel. O auxílio? Veio pelas mãos de Frei Juan Pérez, prior do Convento de Santa Maria da Rábida, que mediou favoravelmente os projetos do navegador junto aos monarcas católicos. Financiado por Luis de Santangel, banqueiro do rei Fernando, Colombo reuniu pilotos experientes e acreditados cartógrafos para levantar âncoras. Sua frota? Composta por três caravelas, Santa Maria ( nau capitânea), Pinta e Niña, que alcançaram, 70 dias depois, a ilha São Salvador. Técnico de navegação? Mero aventureiro? Ou intuitivo e gênio?

Cientes dos êxitos de Colombo, não tardou para que cosmógrafos e navegantes portugue­ses passassem a adotar rigorosa legislação que impedisse a fuga de notícias geográficas para contrabandistas científicos. Elevados a materiais de alto nível político nos últimos anos do século XV até início de VI, não tardou para que os conhecimentos cartográficos rompessem fronteiras, provocando nomadismos de cartógrafos de uma região a outra. Na sequência, Portugal e Espanha assinam o Tratado de Tordesilhas, linha imaginária que dividia as terras “descobertas e por descobrir” por ambas as Coroas fora da Europa. Na literatura? Camões, em “Os Lusíadas”, tratando desse mesmo panorama, fundamental para a compreensão do passado imperial colonial português.

As viagens de Cristóvão Colombo, ao abrirem caminho para o contato, a expansão, a ex­ploração, a conquista e a colonização do continente americano pelos Europeus pelos próximos séculos, trouxeram várias mudanças e desenvolvimentos na história moderna do Mundo Ocidental. Entretanto, nem todas positivas. Algumas delas? O favorecimento comercial do tráfico de escravos no Atlântico e a expansão da religião cristã, em detrimento da preservação da expressão cultural dos povos nativos na América. Fatos, estes, que levaram historiadores modernos o vissem de forma negativa com o passar do tempo.

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