Os casos confirmados de fe­bre chikungunya aumentaram quase 300% em Ribeirão Preto. Os dados são do Boletim Epide­miológico da Secretaria Munici­pal da Saúde (SMS). Em todo o ano passado foram confirmados nove casos, e em 2017, entre 1º de janeiro e 31 de julho, já são 35 ocorrências, um aumento de 288,9% – são mais 26 víti­mas do Aedes aegypti, mos­quito transmissor da doença, da dengue, da zyka e da febre amarela na área urbana.

Lucia Márcia Romanho­li Passos, diretora da Divisão de Vigilância e Saúde, explica que, ao contrário da dengue, cujos casos no mesmo período despencaram 99,8%, de 34.975 em sete meses de 2016 para 64 no mesmo período deste ano – 34.911 a menos –, a chikun­gunya só chegou em Ribeirão Preto recentemente.

“Enquanto a cidade convi­ve com surtos de dengue desde 1990, o que fez com que boa parte da população já tenha contraído o vírus e esteja hoje imunizada, o vírus da febre chi­kungunya só foi detectado aqui há dois anos, em 2015, quando registramos dois acasos. Ou seja, praticamente toda a população está suscetível”, explica.

A diretora da Divisão de Vigilância e Saúde lembra que os sintomas iniciais da dengue e da febre chikungunya são muito parecidos – febre, dor no corpo, dores nas articula­ções e manchas avermelhadas. No caso da febre chikungunya, em vez da dor “no fundo dos olhos”, característica da den­gue, o mais comum é o apare­cimento de conjuntivite.

Por isso, qualquer morador que apresente esses sintomas deve procurar o posto de saúde mais próximo. “Fazemos testes para as duas doenças. E quan­do confirmamos qualquer uma delas, iniciamos de imediato um bloqueio sanitário em um raio de 300 metros ao redor dos locais de moradia e trabalho do paciente, com nebulização para matar o mosquito alado e visitas casa a casa para eliminar os cria­douros de larvas do mosquito Aedes aegypti, que transmite as duas doenças”, explica.

Apesar de não acarretar complicações mais sérias como a dengue (a dengue hemorrágica pode matar) ou o zika vírus (que em grávidas pode causar micro­cefalia nos bebês), a febre chi­kungunya precisa ser combatida com vigor. “Em uma parcela dos pacientes, a doença pode se tor­nar crônica, e após a fase aguda, de uma a duas semanas, as dores articulares podem durar até dois anos”, explica Luzia Márcia.

Nesta quarta-feira, 16 de agosto, uma equipe da Divisão de Controle de Vetores fez um bloqueio no Jardim Antarctica, na região da rua Monte Alegre. Segundo o supervisor dos agen­tes, um caso da febre chikun­gunya foi confirmado naquela área. No mês passado, segundo a SMS, um caso foi confirmado na cidade, contra nenhum de julho de 2016 – todos as nove ocor­rências do ano passado foram no primeiro semestre.

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