ALFREDO RISK

O vereador Elizeu Rocha (PR) quer a instalação de uma Comissão Especial de Estudos (CEE) para discutir e apurar possíveis alternativas para o trânsito de veículos pesados – ônibus e caminhões – na ave­nida Nove de Julho, no Alto da Cidade, que corta vários bairros – Vila Seixas, Higie­nópolis, Jardim Sumaré etc. O requerimento já foi aprovado e transformado em projeto de resolução pela Mesa Diretora do Legislativo.

Agora, a proposta será vo­tada em data ainda a ser defi­nida e somente depois será ins­talada a CEE, que terá 120 dias para realizar os estudos. A comissão será composta por três parlamentares. Segundo Elizeu Rocha, a medida é ne­cessária por causa de vários fatores, entre eles o estado de conservação dos paralelepípe­dos da avenida e o elevado cus­to para manutenção.

Ele lembra ainda que a via é tombada desde 2008 pelo Conselho Municipal de Pre­servação do Patrimônio Cul­tural (Conppac) e por ser con­siderada patrimônio histórico da cidade não pode ter o pro­jeto original alterado. Cartão postal da cidade, a prefeitura deverá fazer estudos para via­bilizar obras de mobilidade na Nove de Julho.

Em julho do ano passado, o vereador Rodrigo Simões (PDT) sugeriu ao Executivo estudos para verificar, entre outros itens, a possibilidade da troca dos paralelepípedos da avenida Nove de Julho. Na época, ele justificou o pedido por causa dos problemas da malha viária, já que muitas peças se soltaram e em outros trechos não existia calçamento.

O vereador argumentava ainda, a necessidade de se re­solver problemas estruturais da Nove de Julho, considerada por ele caminho de muitos ve­ículos que partem do Centro e pedestres que trabalham ou vi­sitam a região. Entre as reivin­dicações estavam a avaliação e poda de árvores condenadas e uma ação conjunta do Execu­tivo, Legislativo e sociedade civil organizada para trans­formar a Nove de Julho nova­mente num importante centro comercial e empresarial.

Na época, o parlamentar entregou ao prefeito Duarte Nogueira Júnior (PSDB) do­cumentos e uma enquete feita com a população sobre a im­portância da recuperação da­quele local. “Estou esperando a análise pela prefeitura do material que entreguei”, diz. A avenida Nove de Julho, considerada um cartão postal da cidade, foi planejada pelo prefeito João Rodrigues Guião em 1921.

Os primeiros quarteirões da avenida foram entregues no dia 7 de setembro de 1922, com o nome de avenida da In­dependência. A avenida pas­sou a se chamar Nove de Julho alguns anos depois e ganhou prestígio na cidade a partir do início da década de 1950. As residências construídas nas proximidades seguiram, em sua maioria, o estilo moderno.

Com o passar do tempo, foi perdendo suas características de área residencial. Ao lon­go dos últimos 20 anos ela se transformou no principal cen­tro financeiro da cidade e região. É famosa pelas frondosas sibipi­runas. Mesmo com a transfor­mação que sofreu nos últimos 40 anos a avenida manteve suas características que lembram a década de 1950 – os paralelepí­pedos da rua e o calçamento dos canteiros centrais.

Ao longo de seus pouco mais de dois quilômetros, re­úne cerca de 30 bancos, entre comerciais e de investimentos, além de seguradoras, con­sórcios, bares, restaurantes, lanchonetes etc. Um dos prin­cipais problemas para a ma­nutenção dos paralelepípedos da avenida é a falta de mão de obra especializada. Os últimos calceteiros se aposentaram e faltam profissionais na área.

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