Com toda a “vênia” aos que pensam diferente, gosto de ouvir e geralmente concordo com o posicionamento do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso. Além de defensor da Constituição, porque a defen­de como é e não como gostaria que fosse escrita, é também promotor da dignidade do povo brasileiro, especialmente dos mais fracos, simples, daqueles desprovidos de condições econômicas para arcar com os altíssimos custos de advogados considerados “os arautos” do Código Penal Brasileiro.

Em recente palestra, referindo-se às divulgações do site Intercept Brasil facilitadas pela ex-deputada Manuela D’Ávila, do Rio Grande do Sul, dos supostos vazamentos de diálogos entre o ministro Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, entre outros procuradores da Lava Jato, demonstrou seu espanto de hacke­rs, seus cúmplices e seus apoiadores celebrando o crime!

Bem lembrou o ministro Barroso, o que já me deixara estarrecido: nos vazamentos seletivos não se faz nenhuma referência aos volumosos assaltos à Petrobras, como se os criminosos fossem os que descortinaram uma das maiores corrupções sistêmicas de nosso País. Seria cruel que algum inconformado com o resultado das eleições de outubro do ano passado tivesse a safadeza de negar que a Petrobras foi desfalcada em bilhões de dólares.

A sempre tão respeitada estatal, a Petrobras, acordou a devolução de 3 bilhões de dólares em Nova York com inves­tidores estrangeiros e outros 800 milhões de dólares com o Departamento de Justiça norte-americano. O ministro deixou a pergunta: Diante desses acordos, o Judiciário americano faz parte da chamada “conspiração”?

Também concordo com o ministro Barroso, de que se houve parcialidade em alguma sentença, que seja amplamente apurado e corrigido. O que fica estranho é inverter os perso­nagens, transformando julgadores em criminosos. “É preciso estar atento, porque parte da agenda brasileira foi sequestrada por criminosos. É muito impressionante a quantidade de gen­te que está eufórica com os hackeadores, celebrando o crime”.

Na percepção do ministro há mais fofoca do que fatos relevantes, apesar do esforço de se maximizarem os fatos. Po­rém há um detalhe importante: apesar de todo estardalhaço que está sendo feito, nada encobre o fato de que a Petrobras foi devastada pela corrupção, principalmente nos últimos 15 anos, independentemente do que saiu nas gravações.

É difícil entender a euforia que tomou muitos setores da sociedade. Como celebrar a corrupção sistêmica e institucio­nalizada nos meios políticos e empresariais de nosso País? Se o intuito é mudar o foco, penso que de nada adianta, porque a verdade prevalecerá sempre. A desigualdade social que assistimos hoje no Brasil não se instalou há seis meses, mas é fruto da promessa não cumprida de que todo brasileiro teria garantido café-da-manhã, almoço e jantar todos os dias.

O que vimos na última década, foi a distribuição de bolsas daqui e dali por cada criança nascida nas periferias e comu­nidades de nossas cidades. E pasmem: recentemente desco­briram-se não poucos economicamente privilegiados “aboca­nhando bolsas” de nossos irmãos, os mais pobres do que nós.

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