Centro da USP testará vacina

0
31
© REUTERS / Athit Perawongmetha

O governador João Doria (PSDB) anunciou nesta quarta­-feira , 1º de julho, os doze cen­tros responsáveis pelos testes de fase 3, em humanos, da Co­ronaVac, vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac Biotech, uma das mais promis­soras em todo o mundo. A Fa­culdade de Medicina de Ribei­rão Preto, ligada à Universidade de São Paulo (HCFMRP/USP), está na lista.

“Quero ressaltar que o acordo com a Sinovac prevê explicitamente a transferência de tecnologia para a produção em escala industrial da vacina contra o coronavírus em São Paulo pelo Butantan. E assegu­rar também que a vacina será distribuída gratuitamente pelo SUS em São Paulo e em todo o país. A capacidade de pro­dução do Instituto Butantan é de 100 milhões de unidades da vacina”, diz o governador.

Os testes serão realizados em nove mil voluntários, em centros de pesquisas de seis Estados brasileiros: São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. A pesquisa clínica será coordenada pelo Instituto Bu­tantan, um dos maiores centros de pesquisa, desenvolvimento e produção de imunobiológicos do mundo. A fase de testagem começa ainda neste mês. Se for aprovada, as primeiras 60 mi­lhões de doses serão direciona­das aos grupos de risco.

Na cidade de São Paulo, os testes serão conduzidos pelo Hospital das Clínicas da Fa­culdade de Medicina da USP, Instituto de Infectologia Emílio Ribas e Hospital Israelita Albert Einstein. Também serão envol­vidos no Estado de São Paulo a Universidade Municipal de São Caetano do Sul, o Hospital das Clínicas da Unicamp em Cam­pinas e a Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto.

O Centro de Saúde Escola da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, na rua Cuiabá, no Sumarezinho, ficará responsável por aplicar as doses nos voluntários selecionados na cidade e na região. As pesqui­sas serão realizadas, ainda, na Universidade de Brasília (UnB), Instituto Nacional de Infectolo­gia Evandro Chagas, no Rio de Janeiro, Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Fármacos da Universidade Federal de Mi­nas Gerais, Hospital São Lucas da PUC do Rio Grande do Sul e Hospital das Clínicas da Univer­sidade Federal do Paraná.

A vacina contra o coronaví­rus desenvolvida pela Sinovac é uma das mais promissoras do mundo, porque utiliza tecnolo­gia já conhecida e amplamente aplicada em outras vacinas. Por isso, o Instituto Butantan avalia que sua incorporação ao sistema de saúde deva ocorrer mais facil­mente. O laboratório com sede em Pequim já realizou testes do produto em cerca de mil volun­tários na China, nas fases 1 e 2.

Antes, o modelo experi­mental aplicado em macacos apresentou resultados expres­sivos em termos de resposta imune contra as proteínas do vírus. Agora a farmacêutica fornecerá ao Butantan as do­ses da vacina para a realização de testes clínicos de fase 3 em voluntários no Brasil, com o objetivo de demonstrar sua efi­cácia e segurança.

Caso a vacina seja aprova­da, a Sinovac e o Butantan vão firmar acordo de transferência de tecnologia para produção em escala industrial tanto na China como no Brasil para for­necimento gratuito ao Sistema Único de Saúde (SUS). Os pas­sos seguintes serão o registro do produto pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que deve ocorrer nos próxi­mos dias, e fornecimento da va­cina em todo o Brasil,.

“A união da experiência do Butantan na produção de imu­nobiológicos aos esforços da Si­novac permitirá que logo o país tenha uma vacina efetiva e segu­ra contra a covid-19, protegendo as pessoas e salvando milhares de vidas”, afirma o diretor do Instituto Butantan e integrante do Centro de Contingência do coronavírus do Estado, Dimas Tadeu Covas.