Segredos pessoais fazem parte do cotidiano de muitas pessoas. Todavia, manter sigilo é estressante e nocivo à saúde. Devido ao fato dos descritores usados para des­crever segredos serem semelhantes aos que descrevem o desconforto de carregar um fardo físico, como, por exemplo, “estou cabisbaixo”, “estou carregado” ou “estou pesado”, os mesmos sugerem que um segredo é, meta­foricamente, conceituado como uma carga física. Assim conceituando, espera-se que, da mesma forma que carre­gar uma carga física afeta os julgamentos, as avaliações, memória e atenção, carregar um segredo, analogamente, teria os mesmos efeitos, uma vez que segredos podem variar tal como o peso físico, sendo muito sérios, como, por exemplo, a infidelidade conjugal de um amigo ou orientação sexual do mesmo, ou uma inofensiva mentira.

Interessante e curiosa pesquisa examinou se man­ter segredos sobrecarrega as pessoas, afetando as ações como aquelas que ocorrem quando as pessoas carregam peso físico. Para isso, quatro estudos foram realizados: (1º) examinou-se se carregar um segredo influenciaria o quão íngreme as pessoas percebem uma montanha, simi­lar a carregar peso físico; (2º) examinou-se se distância percebida era sensível ao peso físico; (3º) testou-se se a freqüência de pensamentos sobre um segredo predizer-i­ria o esforço percebido, requerido para tarefas físicas e (4º) testou-se se, suprimindo um segredo, influenciar-se iria o comportamento no sentido de ajudar alguém, ou em alguma coisa.

Os resultados do 1º estu­do sugeriram que a conexão metafórica entre segredos e carga física influencia a per­cepção, ou seja, os segredos afetaram os julgamentos tanto quanto os fardos físicos o fizeram: quanto maior o segredo tanto mais íngreme as montanhas pareciam. O 2º estudo revelou que pen­sar sobre segredos onerosos levam participantes a atirar um dado alvo para além de sua cesta, sugerindo que eles percebem uma maior distância para o alvo, ou, em outras palavras, que as distâncias parecem estar mais longe do que, realmente, estão. O 3º estudo indicou que a freqüência de pensamento sobre um grande segredo, tal como, omitir uma infidelidade, conduz a um maior peso aparente, o que é similar a quanto mais oneroso o segredo, mais ele pode corresponder a uma carga física. O 4º estudo demonstrou que, suprimindo um segredo, assemelha-se a tornar os participantes fisicamente estafa­dos, implicando em menos comportamentos pró-sociais considerando as tarefas físicas.
Tomados juntos, quanto mais onerosos forem os se­gredos, bem como, quanto mais pensamentos são devo­tados a eles, tanto mais percepção e ação foram influen­ciadas de modo similar a carregar pesos físicos. Logo, do mesmo modo como ocorre com um fardo físico, segre­dos fadigam as pessoas. Melhor, então, deixar para cofres e cartórios a incumbência de guardar segredos.

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