EDUARDO KNAPP/FOLHAPRESS

Morreu nesta sexta-feira, 14 de junho, em São Paulo, aos 76 anos, Clóvis Rossi, jornalista da Folha de S. Paulo, ganhador de vários prêmios jornalísticos e autor dos livros “Clóvis Ros­si, enviado especial, 25 anos ao redor do mundo” e “O que é jornalismo”. Ele estava em casa, onde se recuperava de enfarte sofrido há uma semana. Nasci­do em 25 de janeiro de 1943, no bairro do Bexiga, em São Paulo, Rossi começou no jornalismo em 1963. Trabalhou nos jornais Correio da Manhã, O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil.

Teve ainda passagens pelas revistas Isto É e Autoesporte e pelo Jornal da República e man­teve blog no espanhol El País. Clóvis Rossi trabalhou desde 1980 na Folha, foi correspon­dente em Buenos Aires, na Ar­gentina, e escreveu reportagens de grande repercussão no país durante os períodos de abertura política, aprovação da Constitui­ção de 1988, posses de presiden­tes da República e mudanças da política externa brasileira. Deixa mulher, três filhos e três netos.

O ataque cardíaco foi infor­mado pelo jornalista em sua última coluna, publicada na quarta-feira (12). Com o título de “Boletim médico”, Rossi fez questão de contar aos seus lei­tores o motivo de, no domingo anterior, não ter escrito como de costume. “É uma satisfação devida ao leitor, se é que há al­gum. Sofri um micro-infarto na sexta (7), fiz a angioplastia, recebi um stent e, na terça (11) outra angioplastia, com mais quatro stents”, explicou.

Com total transparência, Rossi ainda informou que os médicos calculavam que pode­ria ter alta na quinta-feira (13) e voltar à atividade profissio­nal normal na próxima sema­na. Considerado um dos mais prestigiados jornalistas do País, Clóvis Rossi começou a carrei­ra em 1963 e passou por alguns dos principais veículos de im­pressa nacionais.

Experiente, Rossi ganhou diversos prêmios internacionais de jornalismo, entre eles o Maria Moors Cabot, da Universidade de Columbia, pelo conjunto da obra, e o da Fundação Nuevo Periodismo Ibero-Americano, criada por Gabriel García Már­quez. Palmeirense e torcedor do Barcelona, onde morou, Rossi está sendo velado no Cemitério Gethsêmani, em São Paulo. O enterro será neste sábado (15), às onze horas.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, falou sobre a morte do jornalista durante o evento “A Construção do Brasil”, realiza­do Brasília. “Não posso deixar de registrar uma tristeza na data de hoje. Já que estamos falando de história e já que estamos fa­lando de Brasil, um dos maiores jornalistas da história do Brasil faleceu, Clóvis Rossi”, disse.
“Ficam aqui as nossas ho­menagens e a nossa declaração de respeito e solidariedade e de pêsames à família, aos amigos e à Folha de S.Paulo, onde ele tra­balhou durante tantos anos”, res­saltou o ministro durante a aber­tura da palestra do jornalista e historiador Laurentino Gomes.

O prefeito Duarte Nogueira Júnior (PSDB) também emitiu nota de pesar. “O jornalismo brasileiro amanheceu de luto nesta sexta-feira, 14 de junho, pelo falecimento de Clóvis Ros­si, um dos maiores nomes da imprensa nacional. Seu com­promisso com a verdade, com a qualidade da notícia, com a éti­ca profissional e com o respeito ao público leitor são marcas do trabalho sério que inspirou gera­ções”, diz o comunicado.

“A prefeitura de Ribeirão Pre­to e o prefeito Duarte Nogueira se solidarizam com a família e amigos neste momento de pesar. Nossas orações e abraços à viúva e nossa amiga, Catarina Rossi”. Para o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), o jornalis­mo brasileiro perde um de seus principais expoentes. “A com­preensão do mundo fica mais difícil sem o olhar dedicado e racional de Clóvis Rossi. Meus sentimentos e solidariedade aos amigos e familiares”, escreveu o governador em seu Twitter.

A jornalista Miriam Leitão, da GloboNews e colunista do jornal O Globo manifestou em sua conta no Twitter o pesar pela morte de Rossi. “Morreu um dos grandes do jornalismo. Clóvis Rossi é um ícone, de alta competência. Suas análises ti­nham sempre muita informa­ção porque permaneceu sendo repórter por toda a sua vida. Rossi era mestre e suas lições ficam”, escreveu.

O escritor e jornalista Gil­berto Dimenstein, que atuou na Folha de S.Paulo por quase 30 anos e foi colega de Rossi, foi ou­tro a tecer elogios ao profissio­nal. “Não conheci um único jor­nalista que não admirasse Clovis Rossi. Tinha a garra de um foca e sabedoria de um veterano. Com ele, morre não apenas um grande ser humano. Mas um es­tilo de jornalista.”

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