FOTOS: ALFREDO RISK

Fabiano Ribeiro

Muitas pessoas buscam por hobby ou paixão colecio­nar objetos dos mais variados estilos. Pode ser discos, HQ’s (história em quadrinhos), moedas, cédulas, carros, en­fim, há uma gama imensa de itens colecionáveis. É quase que natural, em alguma fase da vida, seja na infância ou na adulta, ter esse desejo. Alguns mantêm a coleção e elas se tornam parte de suas rotinas, já outros desistem no meio ou começo do caminho.

O supervisor de merchan­dising e músico profissional, Gustavo Mendonça Bovo faz parte do primeiro grupo. Começou a colecionar ainda criança e hoje, aos 45 anos, possui um acervo de vários itens, a maioria com ligação à cultura pop.

São discos de vinil, CD´s, DVD´s, pôsteres de filmes, VHS´s, fitas K7, HQ´s, Co­mic Books, livros, cédulas e moedas antigas, ingressos de shows, carrinhos temáticos (de filmes e super-heróis), bonecos de filmes de terror, Action Figures (parecidos com estatuetas que são có­pias perfeitas de persona­gens e que se movimentam), itens de cinema, como fitas de rolo, copos temáticos, cartazes e funkos (bonecos cabeçudos de praticamen­te todas as áreas da cultu­ra pop), além de portfólios de desenhistas e revistas de música. Tudo isso bem ar­quivado e cada um com uma história a ser contada, que Gustavo tem na cabeça, no coração e na ponta da língua.

Gustavo mostra o primeiro disco que ganhou do pai, o álbum ‘The Number Of The Beast’ do Iron Maiden. Presente mudou sua vida

O músico lembra que co­meçou a colecionar na infân­cia. “Por volta dos 5 ou 6 anos com os famosos Playmobils, Comandos em Ação, Falcon e Carrinhos da Matchbox. Logo na sequência, com 7 anos, ganhei meu primeiro disco de vinil, exatamente em 1982. Foi o álbum ‘The Number Of The Beast’ do Iron Maiden. Aquilo trans­formou minha mente de uma tal maneira, que da­quele momento em diante, passei a colecionar discos e nunca mais parei”, conta.

Gustavo revela que os dis­cos de vinil ele tem até hoje e que a coleção “cresceu assus­tadoramente de lá pra cá”. Já os primeiros bonecos ele deu para os filhos, para estimulá­-los a colecionarem também. “Porém, eles não são do ramo e todos esses brinquedos aca­baram se perdendo com o tempo. De todos eles, só res­taram alguns Comandos em Ação, dois Falcons, um Con­dor e um Torax”, diz.

Alguns dos cômodos da sua casa onde o músico guarda parte da coleção

Todos os itens da cole­ção estão armazenados em um cômodo fechado. Uma vez por mês ele tira a po­eira e limpa com extremo cuidado. “A maioria dos itens mantenho em móveis apropriados para as devidas coleções e uma grande parte dos bonecos, guardados nas caixas originais. Cédulas e moedas em pastas próprias, revistas, livros, Comic Books e HQ´s em estantes com portas”, conta.

A diferença entre colecionador e acumulador
Mas qual a diferença en­tre colecionar e acumular objetos. Gustavo tem uma boa resposta para a pergunta. “Vejo que nos dias de hoje o colecionismo tomou verten­tes estranhas. Pessoas que se dizem colecionadoras, basi­camente acumulam as coi­sas para ter um determinado status no meio, para falar que tem, mas no fundo, não fa­zem uso desse conteúdo”.

Detalhes das coleções. Cada objeto tem uma história a ser contada por Gustavo

 

Ele exemplifica. “Cito essa nova onda dos discos de vinil. Conheço várias pessoas que frequentam as feiras de discos, participam dos grupos do Facebook ou WhatsApp, compram discos, mas na verdade nem o apa­relho que toca o disco eles possuem. Vejo isso basica­mente como acumulação e não como coleção. Pra mim, colecionar algo é acima de tudo, ter um vinculo afetivo e usar isso de alguma for­ma, tomar proveito de todo o conteúdo na íntegra. Se coleciona discos, que tenha aonde escutá-los, se cole­ciona livros, que no mínimo os leiam, se coleciona DV­D´s ou VHS´s, que tenha um aparelho de DVD ou um Vídeo Cassete, como eu te­nho até hoje e funcionando e se coleciona fitas K7, que tenha um tape no seu car­ro ou um deck no seu som para escutá-las. Agir assim, é o mínimo de coerência e bom senso que farão de você um colecionador e não um acumulador”, defende.

Outro ponto, Gustavo sabe a história de cada perso­nagem, conta um detalhe de cada disco, livro, moeda, cé­dula, livro, enfim, cada item de sua coleção.

Com relação aos amigos e fa­miliares, o músico diz que a maioria ama e fica admira­da com sua paixão. “Querem ver, tocar, perguntam mil coisas e acham superinte­ressantes. Outros me acham maluco, uma minoria! Di­zem que fico preso a coisas que não terei acesso quando partir dessa vida para outra, porém, respeito a opinião de­les. Como sou ateu e acredito somente nessa vida, nem ligo e sigo colecionando. Se um dia eu perceber que a minha vida está acabando, vendo tudo ou presenteio algum fa­miliar ou amigo que ame es­sas coisas como eu”.

Espaço
O problema de espaço existe como todo grande colecionador de diversos itens tem. “Até algum tempo atrás, conseguia armazenar tudo num quarto, hoje te­nho coisas na minha casa toda e na casa da minha mãe. Tudo que compro, é adquirido com muita pes­quisa, conhecimento e ad­miração”.

Com uma coleção gran­de e itens raros, Gustavo é procurado por outros co­lecionadores do Brasil e de várias partes do mundo, como EUA, Japão e Argen­tina. “Já vendi poucos itens da minha coleção, coisa mí­nima mesmo, mas comprei tudo de volta. Trato bem os colegas, mas a resposta é sempre a mesma: muito obrigado, mas não está à venda!”, finaliza.