FOTOS: LÍDIA MURADÁS

O isopor faz parte do nos­so cotidiano, seja para uso de objetos como pratos, copos, marmitas e outros ou de pro­teção em outras embalagens. Mas apesar de ser um mate­rial plástico e reciclável, o po­liestireno expandido (EPS), nome científico do isopor, é descartado, a exemplo de ou­tros produtos e embalagens, de maneira inadequada. Fal­tam setores de coleta e usi­nas. Um grupo está tentando mudar esse problema em Ri­beirão Preto.

O descarte inadequado do isopor, ou seja, misturado aos resíduos não recicláveis, depositado em vias públicas, abandonado em caçambas, vegetação e corpos hídricos, chamou a atenção da fotó­grafa Lídia Muradás. Ela foi ao encontro de um grupo de pessoas que tinha o mesmo propósito: que as cidades po­dem ser sustentáveis. A partir daí foram feitas as primeiras tratativas do projeto “Embalo Sustentável EPS”. “O projeto foi criando corpo e ganhando adesão de empresas e poder público, viabilizando o an­damento do mesmo. Ou seja, surgiu da necessidade do uso consciente e da responsabili­dade compartilhada dos resí­duos consumidos pela popu­lação em geral”, diz.

Kelly Cristina da Silva, coordenadora do projeto Cata Sonho, um dos responsáveis pela coleta seletiva

A ideia proporcionou a formação do Grupo Ciclos. “É a união de pessoas da so­ciedade civil que juntos des­pertaram para a causa dos resíduos no município de Ribeirão Preto, pessoas inte­ressadas, e engajadas a con­tribuir com projetos e ações para uma cidade melhor, mais limpa, educada, segura e com uma sociedade ativa e participativa. O grupo que sonha alto e faz acontecer, não medirá esforços para que Ribeirão Preto seja uma cida­de referência em reciclagem de resíduos”, diz João Rissato, gestor ambiental e integrante do grupo.

“O grupo não possui fi­liação partidária e congrega organizações públicas e pri­vadas, sociedade civil e pro­fissionais que se dedicam a realizar projetos e ações vol­tadas para a preservação do meio ambiente,” completa a educadora ambiental Joyce Freitas.

Priscila Oppermann, do Grupo Ciclos, em um dos pontos de coleta instalado no Condomínio Ecolife

Outro parceiro do projeto é o “Movimento Vira Mais”, do educador ambiental Ivam Michaltchuk, que contribui com as cabines coletoras, além de dar amparo com ou­tros materiais. “Vira Mais é um movimento global criado e patrocinado pela empresa Meiwa e alguns parceiros, com o intuito de conscienti­zar as pessoas acerca da im­portância da coleta seletiva de materiais feitos em EPS, além de incentivá-las a parti­cipar de maneira ativa do ci­clo de reciclagem destes ma­teriais,” explica Rissato.

Coleta seletiva não atingiu 1% em 2018
Segundo Rissato, o des­carte existente atualmente em Ribeirão Preto passa por alguns percalços. A coleta se­letiva no município, em 2018, não atingiu 1% dos resíduos reciclados gerados na cidade, atingindo apenas 37 bairros. Dentre os resíduos coletados não está incluso o Poliesti­reno Expandido – EPS (Iso­por). “Em 2019 a prefeitura fez nova licitação para coleta dos resíduos sólidos aumen­tando a quantidade de bair­ros atendidos, passando de 37 para 129 bairros, conforme quadro da coleta seletiva pu­blicado no site da prefeitura municipal de Ribeirão Preto. No entanto, o EPS (Isopor) não é um dos resíduos con­templados para reciclagem. Ainda falta conscientização da própria população e ações mais efetivas para a causa”, acrescenta Rissato.

Destino do isopor coletado
O isopor coletado será armazenado, pesado e triado nas dependências do Projeto Cata Sonho que encaminha­rá à Cooperativa Mãos Dadas, para ser compactado em far­dos, até atingir 1.500 toneladas. Após a fase de implementação será apresentada proposta para Coordenadoria de Limpeza Urbana com os resultados eco­nômicos, sociais e ambientais. O grupo vai solicitar a inclu­são do EPS no Plano Munici­pal de Resíduos Sólidos.

“Nossa expectativa é que a população participe ativa­mente do projeto, pois sem o apoio popular, o projeto não seria viável. Podemos dizer que diariamente um volume significativo é gerado e des­cartado de maneira inade­quada em aterros sanitários, nas vias ou áreas verdes do município e isso depende da participação do poder públi­co. Também estamos sendo procurados por empresários e universidades, como a USP, que gostariam de participar do projeto,” finaliza.

Saiba como participar
Como fazer corretamente o descarte?
Todo tipo de EPS (Isopor®) pode ser reciclado, desde embalagens para ali­mentos até peças que protegem eletrônicos. Mas para isso, elas devem estar sempre limpas e secas.

Como Limpar?
Recipientes contendo frutas, legumes hortaliças e folhas:
Geralmente, estes produtos embalados, estão secos e limpos então, nem precisa lavar, apenas, retirar os resíduos orgânicos de alimentos que ficaram nas bandejas.

Recipientes contendo refeições
Retire todo o alimento do recipiente e passe um papel para completar a limpeza. Já nas embalagens contendo doces é recomendado dar uma rápida enxaguada. Se a parede da embalagem ficar suja de molho ou gordura, não há problema. Isto não impede a reciclagem .

Embalagens de eletro-eletrônicos
Já estão limpas e secas, apenas fazer o descarte nos pontos de EPS.

Bandejas de carnes furadinhas
Não são recicláveis. Descarte no lixo comum.

Pontos de coleta do EPS (Isopor) em Ribeirão Preto:
Câmara Municipal de Ribeirão Preto
Av. Jeronimo Gonçalves, 1200;
Novo Mercadão de Ribeirão Preto
Av. Ligia Latufe Salomão, 605 – Jardim João Rossi. (Box da Regina Picadinhos);
Cenourão
Av. Portugal, 1397 – Jardim Irajá;
Supermercado Mialich
Av. Barão do Bananal, 798 – Jardim Anhanguera;
Condomínio Ecolife
(Somente para os moradores do condomínio) – Jardim Botânico
Supermercado Big Compras
R. Heron Domingues, 812 – Parque São Sebastião

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