É difícil escrever um artigo sobre como celebrar o aniversário da cidade num tempo em que a Pandemia persiste. Com razão, afir­ma-se de que somos reféns de uma crise sanitária trazida, em parte, pelo novo coronavírus, a covid-19, mas também é evidente que os investimentos na saúde nem sempre são prioridade, ou pelo menos, nem sempre são levados a sério tanto em nossa macro-região, como em nosso País continental, não obstante ainda tenhamos a saúde de melhor qualidade tanto em nossa aniversariante cidade, como em São Paulo, o mais rico Estado do Brasil.

Já as crises econômicas, políticas e morais, aparentemente fogem ao controle dos municípios. Elas, as crises, se nos são impostas desde a esfera federal e também a estadual. O que não se pode negar, é que crises em geral, a priori, angustiam todos os cidadãos.

A magnífica professora e escritora Maria Helena Silva Dutra de Oli­veira, de saudosa memória, um dia enviou-me uma mensagem de George Carlin, que me ajuda a escrever este artigo, porque provoca uma reflexão e nos convida a encontrar um jeito de como celebrar o aniversário da cidade de Ribeirão Preto. O aniversário é de todos, é nosso, é de cada cidadão ribeirãopretano.

O paradoxo de nosso tempo na história é que nós temos edifícios mais altos, mas temperamentos mais curtos, estradas mais largas, mas pontos de vista mais estreitos. Nós gastamos mais, mas temos menos; compramos mais, mas aproveitamos menos. Temos casas maiores e famílias menores, mais conveniências, mas menos tempo. Temos mais diplomas, mas menos sabedoria, mais conhecimento, mas menos espírito crítico, mais especialistas e mais problemas, mais remédios e menos bem estar.

Nós bebemos muito, fumamos muito, gastamos sem cuidado, rimos muito pouco, guiamos muito depressa, ficamos muito bravos, dormimos muito tarde, levantamos muito cansados, lemos muito pouco, vemos muita televisão, rezamos muito raramente. Multiplicamos nossas posses, mas reduzimos nossos valores. Nós falamos muito, amamos muito rara­mente, e temos raiva frequentemente.

Aprendemos como ganhar a vida, mas não uma vida. Acrescentamos anos à nossa vida, mas não vida aos nossos anos. Vamos até a lua e voltamos, mas temos problemas para atravessar a rua para cumprimentar um vizi­nho. Conquistamos o espaço exterior, mas não o nosso espaço interior.

Nossa cidade aniversariante antes feia e descuidada, agora já demons­tra novamente zelo e beleza, porque seu povo continua lindo e cheio de novas esperanças. Já é novamente possível “cortar o bolo de aniversário”, porque “não levamos o bolo de novo” e a cada dia que amanhece não esqueçamos, de que cada um de nós tem sua parcela de responsabilida­de: Exercendo a cidadania, cumprindo com nossa parte, e pedindo a quem nos governa, Executivo e Legislativo seja servidor do povo, garantindo-lhe sua dignidade!

Desejo muito que o distanciamento social, e outras novas posturas que precisamos tomar para superar a pandemia que continua nos surpre­endendo a todos, nos ajudem a sermos pessoas melhores. Não cesse nos­sa capacidade de sermos solidários e olharmos para nossos concidadãos com olhos de um coração sempre mais generoso e sempre menos egoísta. Não deixemos que a desigualdade social cicatrize ainda mais nossa rica e tão acolhedora cidade aniversariante de Ribeirão Preto!