A “Black Friday”, tradicional data sazonal do varejo americano que acontece em 23 de novembro, logo após o Dia de Ação de Graças, já conquistou os brasi ­leiros e o comércio ribeirão-pretano. As lojas da região central, dos bairros e dos principais corredores comerciais da cidade – avenidas da Saudade (Campos Elíseos) e Dom Pedro I (Ipiranga) e Boulevard. – apostam na promoção para alavancar as vendas. A expectativa de vendas na “sexta-feira negra” é positiva, com promoções que oferecem descontos de até 70%.

O Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto e Região (Sincovarp) está otimista e espera crescimento de 10% a 20% nos negócios neste mês. Segundo o presidente Paulo César Lopes, muitos consumidores aproveitam o período de ofertas para antecipar as compras de Natal. “Os clientes aguardam a ação para comprar um produto desejado com melhor preço. Cada lojista desen­volve a sua própria ação. Alguns já estão com promoções, ou seja, anteciparam as ofertas e, outros, prolongarão para os dias seguintes à ‘Black Friday’”, explica.

As vendas do comércio ribeirão-pretano caíram 1,21% em novembro do ano passado e subiram 0,38% em dezembro – o Natal ajudou a interromper uma sequência de três meses seguidos no “vermelho”. Em nove meses de 2018, o setor acumula sete quedas e apenas dois superávits, em agosto (0,79%) e janeiro. As vendas caíram 1,13% no acumulado de todo o ano pas­sado. O índice foi melhor do que os de 2016 (queda de 2,73%) e 2015 (recuo de 3,78%) e pior que a retração de 0,46% de 2014.

Em todo o Brasil, as vendas do varejo tiveram alta de 5,9% em novembro de 2017 na comparação com o mesmo mês de 2016, sem ajuste sazonal. De acordo com o site oficial da Black Friday (www. blackfriday.com.br), no ano passado a ação alcançou a marca de R$ 2,1 bilhões no País – um crescimento de 16% em relação ao período ante­rior–, sendo mais de R$ 20 milhões somente em Ribeirão Preto.

A estimativa foi gerada a partir do histórico das edições anterio­res e com base no tráfego do portal idealizador da ação no Brasil. O movimento equivale a 13 vezes a média de um dia comum. Foram feitos 2,23 milhões de pedidos nos e-commerces do país e mais de 281 mil pessoas compraram pela primeira vez pela internet.

Compras no feriado – A semana que antecede a “sexta-feira negra” tem feriado. Na próxima quinta-feira, 15 de novembro, celebração da Proclamação da República, as lojas de Ribeirão Preto terão abertura facultativa das nove às 17 horas. “Os dias de folga se transformam em uma ocasião para a busca pelos melhores produtos e preços, além de antecipação das compras. Nos estabele­cimentos, o público encontra artigos com preços atrativos e diversas opções de pagamento”, comenta Paulo César Lopes, do Sincovarp.

“Black Friday” – Pouco mais de um terço (37%) das compras da “Black Friday” deste ano, a megaliquidação do varejo marcada para a penúltima sexta-feira de novembro, é antecipação de compras de Natal. No caso de itens de vestuário, essa fatia é bem maior e chega a 53% do faturamento da megapromoção. Já para os eletrônicos, a participação está abaixo da média e corresponde a 32% das vendas

Os dados fazem parte de uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) em parceria com a Ferraz Pesquisa de Mercado para saber as grandes tendências do evento deste ano. Nos últimos anos, varejistas e especialistas em mercado de consumo já tinham notado que a “Black Friday” vinha tomando espaço do faturamento do Natal. No entanto, não havia um dado que mostrasse a ordem de grandeza desse deslocamento de vendas.

A maioria dos consumidores quer aproveitar a liquidação. Eles também estão dispostos a gastar um pouco mais nas lojas físicas e no comércio eletrô­nico. Neste ano, o desembolso médio nesses canais de vendas deve ser de R$ 1.283 por pessoa. No ano passado, o gasto médio da “Black Friday” nas lojas físicas e no comércio online tinha sido de R$ 1.178, segundo o Ebit, consultoria especializada em informações do canal eletrônico.

De acordo com o Ebit, o comércio eletrônico deve faturar R$ 2,43 bilhões na “Black Friday” deste ano, alta de 15% na comparação com o ano passado. O número de pedidos pode registrar uma expansão de 6,4%, passando de 3,76 mi­lhões para quatro milhões. A pesquisa online consultou 403 consumidores, de todos os estratos sociais, em quatro Estados (Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul) e o Distrito Federal, entre os dias 10 e 21 de setembro.