FÁBIO POZZEBOM/AG.BR.

A escolha dos integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid-19 no Senado acendeu um alerta nos articuladores do presiden­te Jair Bolsonaro. A compo­sição que se desenhou após definição da maioria das ban­cadas não agradou totalmente o governo, que esperava uma maioria mais amigável.

Com isso, a estratégia do Executivo é adiar ao máxi­mo o funcionamento da CPI, condicionando as reuniões ao retorno dos trabalhos pre­senciais e à vacinação dos se­nadores e funcionários, sem data para ocorrer. Essa estra­tégia pode ter aval do Supre­mo Tribunal Federal (STF), que julga o assunto em uma sessão nesta quarta-feira, 14 de abril.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), autorizou a criação da comis­são para investigar a conduta do governo federal na pan­demia do novo coronavírus e dos repasses financeiros a Estados e municípios. Pache­co não decidiu formalmente se a CPI poderá funcionar remota ou presencialmente nem estipulou oficialmente um prazo para indicação dos membros, apesar de ter pedi­do informalmente para que as escolhas sejam feitas em até 10 dias.

Pacheco deve deixar o im­passe sobre o funcionamen­to remoto ou presencial com os integrantes da comissão, aguardando a decisão do STF. Conforme o Estadão/Broad­cast antecipou, o plenário do tribunal pode condicionar as reuniões da CPI ao retorno presencial do Congresso, sem data para ocorrer.

A CPI será formada por onze titulares e sete suplen­tes. Apenas o bloco formado por DEM-PL-PSC, alinhado ao governo, ainda não esco­lheu os membros. As demais bancadas definiram os no­mes internamente, mas ainda podem mudar as escolhas até encaminhar de fato as indi­cações para a Mesa Diretora. Além disso, os integrantes também podem ser substi­tuídos ao longo do funciona­mento da comissão.

O presidente do Senado adotou uma manobra para alterar a composição da Co­missão Parlamentar de In­quérito (CPI) da covid-19 e evitar danos maiores para o Palácio do Planalto. A Secre­taria-Geral da Mesa estipulou que, entre os onze titulares, o bloco formado por DEM-PL­-PSC, próximo ao governo, terá duas vagas, uma a mais do que se esperava.

A definição diminuiu as cadeiras do bloco Podemos­-PSDB-PSL de três para duas. Nesse grupo, há mais parla­mentares críticos ao presi­dente Jair Bolsonaro. Líderes do bloco desprestigiado se surpreenderam com as vagas destinadas, mas avisaram que não transformarão a manobra em uma briga interna. A deci­são de instalar a CPI e a esco­lha dos nomes são vistas como derrotas suficientes para o go­verno no momento.