WILSON DIAS/ AG.BR.

O Comitê de Política Mone­tária (Copom) do Banco Cen­tral decidiu nesta quarta-feira, 18 de setembro, reduzir a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual. Com isso, a Selic cai de 6% para 5,5% ao ano. A decisão atendeu ao que era es­perado no mercado financeiro. O último Relatório de Mercado Focus indicava que o mercado já esperava pela manutenção do ciclo de cortes.

Segundo o Copom, a decisão é compatível com a convergên­cia da inflação para a meta, que neste ano é de 4,25%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto percentual (índice de 2,75% a 5,75%). O comitê disse que, pelo cenário atual, a trajetória de juros deve encerrar 2019 em 5% ao ano e permanecer nesse patamar até o final de 2020.

Em comunicado, o comitê reitera a necessidade de avan­ços nas reformas estruturais da economia brasileira para que os juros permaneçam em níveis baixos por longo tempo. “O Co­pom avalia que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado, mas enfatiza que perseverar nesse processo é es­sencial para a queda da taxa de juros estrutural e para a recu­peração sustentável da econo­mia”, diz o comunicado.

De acordo com boletim di­vulgado pelo Copom, o cenário econômico sugere uma retoma­da do processo de recuperação da economia brasileira, que de­verá ocorrer em ritmo gradual e uma inflação na casa dos 3%. “As expectativas de inflação para 2019, 2020, 2021 e 2022 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,5%, 3,8%, 3,75% e 3,5%, respectivamente”, informou o Copom. O Copom disse tam­bém que espera que o dólar termi­ne o ano de 2019 valendo R$ 3,90 e que permaneça nesse patamar até o final de 2020.

A Selic é o principal instru­mento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Na­cional de Preços ao Consumi­dor Amplo (IPCA). Ao reduzir os juros básicos, a tendência é diminuir os custos do crédi­to e incentivar a produção e o consumo. Para cortar a Selic, o Copom precisa estar seguro de que os preços estão sob contro­le e não correm risco de ficar acima da meta de inflação.

A Selic, que serve de referência para os demais juros da economia, é a taxa média cobrada em nego­ciações com títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, registradas dia­riamente no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic). Na tarde de ontem, o presidente Jair Bolsonaro comemorou a deci­são do Copom em uma postagem no Twitter. O presidente escreveu que é a “Economia dando certo. Em nosso governo, pela segunda vez, a mais baixa taxa de juros da história do Brasil”, citou.

Histórico
Com a decisão do Copom, a Selic está no menor nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 1986. De outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano e pas­sou a ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em ju­lho de 2015. Em outubro de 2016, o comitê voltou a reduzir os juros básicos da economia até que a taxa chegasse a 6,5% ao ano em março de 2018. Em julho, o Comitê deci­diu baixar a taxa para 6% ao ano, menor patamar até então.

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