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Coreia do Norte dispara míssil para mar do Japão

REUTERS

A Coreia do Sul informou que a Coreia do Norte lançou um míssil balístico para o mar do Japão. Pyongyang tem de­senvolvido vários testes com mísseis nas últimas semanas, incluindo um com armas hi­persônicas e de longo alcance. O lançamento partiu da locali­dade de Sinpo, no leste do país mais fechado do mundo, e te­ria sido lançado a partir de um submarino, dizem as autorida­des de Seul, na Coreia do Sul.

Alguns dos testes realiza­dos pela Coreia do Norte estão proibidos pelas Nações Unidas, como os de mísseis balísticos e com armas nucleares. Os mís­seis balísticos são considerados mais perigosos e ameaçadores do que os mísseis de cruzeiro, uma vez que podem transpor­tar maior peso, têm mais al­cance e são mais rápidos.

O míssil lançado nesta ter­ça-feira, 19 de outubro, tinha sido apresentado em janeiro por Pyongyang como “a arma mais poderosa do mundo”. A Coreia do Sul também anun­ciou ter armamento semelhan­te há apenas algumas semanas, numa corrida às armas em ple­na Península coreana.

Tecnicamente, as Coreias continuam em guerra, uma vez que a Guerra da Coreia, que di­vidiu a península em dois países, terminou em 1953 com um ar­mistício. A informação sobre o lançamento do míssil foi confir­mada por responsáveis militares da Coreia do Sul, que acreditam que o míssil em questão voou cerca de 450 quilómetros e atin­giu altura de 60 quilômetros.

“Os nossos militares estão monitorando de perto a situ­ação e mantendo uma postura de prontidão, em estreita cola­boração com os Estados Uni­dos, de forma a preparar pos­síveis lançamentos”, adiantam os chefes militares em Seul, em comunicado. O Japão já reagiu. O primeiro-ministro Fumio Kishida considera que o lança­mento dos mísseis balísticos e os testes realizados por Pyon­gyang são “lamentáveis”.

Esforços diplomáticos
Esta não é a primeira vez que a Coreia do Norte testa um míssil a partir de uma platafor­ma subaquática. Em outubro de 2019, o país lançou o míssil sub­marino Pukguksong-3. A agên­cia estatal de notícias KCNA informou que a ação pretendia minimizar uma “ameaça ex­terna”. O míssil foi lançado em trajetória vertical, mas se tivesse percorrido um percurso padrão poderia ter atingido o território da Coreia do Sul ou do Japão.

Por outro lado, os mísseis lançados a partir de submari­nos ou plataformas submersas podem fazer com que esses lançamentos sejam mais difí­ceis de detectar de forma pre­matura. Desde que Kim Jong­-un assumiu a liderança, o país tem efetuado vários testes de armamento e reforçado o arse­nal militar, apesar das sanções internacionais devido aos pro­gramas de armamento nuclear e de mísseis balísticos.

Sung Kim, representante es­pecial dos Estados Unidos para questões da Coreia do Norte, tem apelado nos últimos dias às conversações diplomáticas entre os países envolvidos. “Não temos qualquer intenção hostil em relação à Coreia do Norte e esperamos realizar um encon­tro” sem condições prévias, disse o diplomata ainda segunda-feira (18), ao final de uma reunião com um responsável norte-co­reano, Noh Kyu-duk.

Em 2018, o líder norte-core­ano Kim Jong-un foi o primeiro da história a se reunir com um presidente norte-americano – Donald Trump – primeiro em Singapura e depois em Hanói, já em fevereiro de 2019. Meses mais tarde, durante viagem à Ásia, Trump fez uma visita ines­perada à zona desmilitarizada entre as Coreias, em junho de 2019, onde voltou a se encontrar com o líder norte-coreano.

No entanto, esses encontros foram pouco proveitosos, uma vez que não foi possível alcançar um acordo para o levantamento de sanções contra o regime nor­te-coreano, ou um compromis­so por parte da Coreia do Norte para a contenção dos programas nuclear e de mísseis balísticos. Desde então, nos últimos dois anos, os lançamentos e o progra­ma de mísseis balísticos prosse­guiram, apesar das dificuldades econômicas e de um bloqueio territorial no país auto-imposto devido à pandemia.

Estados Unidos
As Forças Armadas dos Estados Unidos condenaram o lançamento, pela Coreia do Norte, do míssil balístico dis­parado a partir de um subma­rino e apelaram a Pyongyang para “se abster de novos atos desestabilizadores”.

“Estamos cientes do lança­mento [feito ontem] de manhã de um míssil balístico norte­-coreano para o mar do Japão e estamos em consultas com a Co­reia do Sul e o Japão”, disse, em comunicado, o comando nor­te-americano do Indo-Pacífico. “O acontecimento não constitui ameaça imediata ao pessoal nor­te-americano, ao nosso território ou aos nossos aliados”, destacou.

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