© Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Ministério da Educação (MEC) voltará a calcular as notas de corte do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) como fazia antes de 2020. Com essa decisão, a nota do candidato parcialmente classificado no curso de sua primeira opção de inscrição não será mais computada para efeito do cál­culo da nota de corte do curso de sua segunda opção.

As notas de corte, consi­derado o modelo de cálculo antigo, serão divulgadas entre a madrugada desta terça-feira (13) e quarta-feira, 14 de abril. As inscrições poderão ser fei­tas até as 23h59, no horário de Brasília, do dia 14. O Sisu se­leciona estudantes para vagas em instituições públicas de en­sino superior com base na nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Podem se inscrever aqueles que fizeram o Enem 2020, apli­cado este ano. São ofertadas, nesta edição, 206.609 mil vagas em 5.571 cursos de graduação, distribuídos em 109 institui­ções em todos os estados do Brasil e no Distrito Federal. Na hora da inscrição, os candida­tos podem escolher até duas opções de curso.

Uma vez por dia, é calcu­lada a nota de corte com base nas inscrições feitas até aquele momento e o candidato é in­formado da sua classificação parcial. Até o final do período de inscrição, os candidatos po­dem mudar as opções de curso. Neste processo seletivo, os can­didatos estavam tendo acesso à classificação tanto para a pri­meira quanto para a segunda opção de curso, independente de terem se classificado para a primeira opção.

Em processos seletivos anteriores, aqueles que eram classificados para a primeira opção de curso eram des­considerados no cálculo da segunda opção. Isso porque eles já ocupariam a vaga da primeira opção. Considerar a nota deles no cálculo da se­gunda opção de curso pode fazer com que a nota de corte desses cursos aumente. Para especialistas, isso cria uma camuflagem e um aumento de notas de corte que pode não ser real.

Como os estudantes po­dem mudar a opção de curso, o risco é que eles sejam indu­zidos a mudar de opção, es­colhendo, talvez, cursos que não os agradem tanto. Diante de apelos contrários à forma de divulgação da nota de cor­te, adotada a partir de 2020, o MEC determinou que essa nota volte a ser divulgada como era antes daquela altera­ção no seu formato.

“Desde que em condições de indicar aos candidatos in­formações que permitam am­pliar as chances de ingressar na educação superior e se graduar em uma das 109 instituições públicas de ensino superior com ofertas de vagas nesta edi­ção do Sisu”, diz a pasta.

O MEC acrescenta, no en­tanto, que o modelo adotado em 2020 não configura erro nem desvirtua a ocupação de vagas. “O formato de geração das notas de corte, vigente desde 2020, havia sido alte­rado na ocasião do processo seletivo do primeiro semestre daquele ano, para demons­trar a integralidade das notas de todos os candidatos, inde­pendentemente da situação de classificação na primeira opção de curso”.

A nota de corte é a menor nota para o candidato ficar entre os potencialmente sele­cionados para cada curso, com base no número de vagas dis­poníveis e no total dos candi­datos inscritos naquele curso, de acordo com o desempenho obtido no Enem.

As notas de corte são dife­rentes para cada modalidade de concorrência, ou seja, tan­to para quem se inscreve nas vagas de ampla concorrência, ações afirmativas e cotas, bem como suas subdivisões, con­forme as opções elencadas no ato da inscrição ao Sisu.

No portal do Sisu, o MEC faz um alerta: “A nota de cor­te é apenas uma referência para auxiliar o candidato no monitoramento de sua ins­crição, não é garantia de se­leção para a vaga ofertada. O sistema não faz o cálculo em tempo real.” Ao todo, mais de 2,5 milhões de estudantes fizeram o Enem 2020. Segun­do MEC, mais de um milhão havia se inscrito no Sisu até a última quinta-feira (8).